Confrontado com crescentes indícios de estagnação da economia e o fiasco das políticas econômicas adotadas até o momento para estimular a economia e animar o mercado de trabalho, as autoridades econômicas dos Estados Unidos estão divididas e sem saber o que fazer. O retorno da política de “relaxamento quantitativo” (emissão de moeda) não está descartado.
Os formuladores de política econômica do Federal Reserve (FED, banco central estadunidense) não chegaram a um acordo sobre a necessidade, ou não, de mais estímulos econômicos, embora a perspectiva de crescimento econômico permaneça fraca, segundo a ata da última reunião do seu Comitê de Política Monetária, realizada em junho.
Entre a cruz e a espada
“Alguns membros notaram que, dependendo da evolução das condições econômicas, o comitê terá de considerar a adoção de mais estímulos monetários, especialmente se o crescimento econômico continuar fraco demais para reduzir significativamente a taxa de dezembro no médio prazo", disse o documento.
Por outro lado, alguns outros membros viram riscos na inflação crescente, sugerindo que as condições econômicas podem evoluir de tal forma que alertem o Fomc "a dar passos para remover o estágio de acomodação da política [monetária] mais cedo do que se previa anteriormente."
Os formuladores de política econômica reduziram suas projeções para o crescimento neste ano, antes de um relatório governamental de 8 de julho, mostrar um aumento da oferta de empregos em junho no menor nível em nove meses. O presidente do FED, Ben Bernanke, em uma entrevista em 22 de junho, afirmou que o crescimento resultaria em uma elevação dos subsídios aos preços de energia, mas deixou a porta aberta para estímulos adionais.
Ações em alta
As ações subiram após a ata. O índice Standard & Poor´s registrava alta de 0,3%, para 1.323,73 pontos. O yield da nota do Tesouro de dez anos ficou praticamente estável, em 2,92%.
A ata mostrou os diretores do FED divididos sobre o que fazer se a economia piorar, reticentes de que há mais munição para conter o desaquecimento econômico. "Alguns participantes expressaram dúvidas sobre a eficácia da política monetária nas atuais circunstâncias."
Alguns membros do Fomc "viram a recente configuração de baixo crescimento e alta da inflação e sugeriram que há pouco o que fazer com o mercado de trabalho." Neste caso, "a retirada da política monetária acomodatícia pode começar antes do que o mercado financeiro previa".
O Fomc concordou, pela segunda vez, em completar o programa de recompra de títulos de US$ 600 bilhões, conhecido como quantitative easing 2 (relaxamento quantitativo).
Juros negativos
Os membros do Federal Reserve também renovaram sua disposição para manter as taxas de juros "excepcionalmente baixas" por um longo período. O banco mantém o juro básico entre zero e 0,25% ao ano desde dezembro de 2008. Em junho, Ben Bernanke, presidente da instituição, disse que o FED "estaria preparado para tomar medidas adicionais, obviamente se as condições fossem adequadas, incluindo a compra de mais ativos do Tesouro".
A maioria dos integrantes do Fomc disse que a alta da inflação "seria transitória" e que no médio prazo recuaria, "desde que os preços das commodities não aumentassem rapidamente e que as expectativas no longo prazo permanecessem estáveis".
"Alguns participantes viram riscos na continuidade da atual política monetária, apontando, por exemplo, o de aumento das expectativas inflacionárias", frisa a ata.
Moratória
Para o comitê, "a recuperação mantém-se sujeita a alguns riscos baixistas", como um novo declínio dos preços das moradias, um aumento maior do que esperado na política fiscal no futuro próximo e "respingos potenciais econômicos e financeiros da crise da dívida europeia".
Numa referência à negociação de um novo aumento do limite do endividamento público e à possibilidade de moratória, os membros disseram que "mesmo um atraso pequeno no pagamento do principal e de juros da dívida do Tesouro provavelmente causaria severas turbulências no mercado e afetaria os custos dos empréstimos dos Estados Unidos".
A ata mostra que todos menos um participante do Fomc concordaram em dar sequência a uma saída do plano recorde de estímulos. Afirmaram ainda que a discussão era parte de um "planejamento prudente" e não implica que a saída acontecerá em breve.
Fonte: Valor
Banco Central dos EUA não sabe o que fazer para contornar a crise
Terça, 12 de Julho de 2011 às 13:42, por: CdB