Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Banco Central deve cortar os juros pela oitava vez neste ano

O Comitê de Política Monetária (Copom ) volta a se reunir nesta semana para decidir o futuro da taxa básica de juros (Selic). A expectativa do mercado para a primeira reunião do ano é que o Banco Central (BC) volte a cortar os juros pela oitava vez consecutiva. Atualmente, a Selic está em 16,5% ao ano. O Copom se reúne na terça e na quarta-feira. (Leia Mais)

Segunda, 19 de Janeiro de 2004 às 08:43, por: CdB

O Comitê de Política Monetária  (Copom) volta a se reunir nesta semana para decidir o futuro da taxa básica de juros (Selic). A expectativa do mercado para a primeira reunião do ano é que o Banco Central (BC) volte a cortar os juros pela oitava vez consecutiva. Atualmente, a Selic está em 16,5% ao ano. O Copom se reúne na terça e na quarta-feira.

A maioria dos analistas ouvidos pela Reuters no fim da semana passada acredita que o ritmo do afrouxo monetário será mais espaçado e menor este ano. Das 20 instituições financeiras ouvidas entre quarta e quinta-feira, 15 prevêem que o Copom vai cortar os juros em 0,5 ponto percentual, para 16%. Quatro analistas apostam em um corte um pouco maior, de 0,75 ponto percentual, e um acha que a redução será a mesma feita em dezembro, de 1 ponto.

As recentes quedas do risco-país e do dólar e a economia ainda fraca devem levar o BC a cortar os juros, mas a maioria dos economistas disse que a redução será menor este mês depois de o Copom ter dito que o afrouxo monetário feito em 2003 ainda não foi absorvido completamente pelos preços e a atividade.

"O BC já deixou claro que precisa monitorar os efeitos da política monetária feita até agora", disse Adauto Lima, economista do Banco WestLB do Brasil. "E (0,5 ponto) não é tão conservador, porque você está partindo de juros mais baixos. Um corte de 2 pontos quando você tem uma taxa a 20 (por cento) é uma coisa, mas com 16,5% é outra coisa."

Os juros no Brasil chegaram a 26,5% em fevereiro do ano passado, ficando neste patamar até junho, quando o BC começou a afrouxar a política monetária.

A aceleração da inflação vista em dezembro e prevista para janeiro devido a fatores temporários também deve contribuir para um corte menor, segundo os analistas. Nesses dois meses, a inflação está sendo pressionada por maiores custos de educação, alimentos e cigarros.

Em dezembro, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,52%, após a alta de 0,34% em novembro.

O IPCA encerrou 2003 com alta de 9,3%, acima da meta de 8,5%, mas abaixo da taxa de 12,5% registrada em 2002. Economistas ouvidos pela Reuters no início da semana passada previram que a inflação em 2004 ficará próxima da mete central deste ano, de 5,5%, que tem uma faixa de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima e para baixo.

"O BC está olhando a meta de inflação, vai começar a sintonia fina dos juros... Em março, se a atividade não deslanchar, ele pode cortar mais rapidamente", afirmou Alexsandro Barbosa, economista da consultoria Global Invest.

Os analistas que projetam um corte maior, de 0,75 ou 1%, disseram que a aceleração da inflação é pontual e permite uma redução desse tamanho.

"O BC pode reduzir em 0,75%, refletindo a recente queda do risco-país", disse Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Banco Fator. O risco-país, que no início de 2003 estava na faixa de 1.300 pontos, está agora um pouco acima de 400 pontos-básicos.

Poucos cortes em 2004

Os economistas disseram que os cortes de juros este ano serão menores e mais espaçados do que no segundo semestre de 2003. O BC adotará essa postura para evitar um novo repique inflacionário, acrescentaram.

Nove instituições financeiras ouvidas na pesquisa prevêem que a Selic encerrará 2004 em 14%, o que significaria um corte de 2,5 pontos percentuais ao longo do ano. Quatro analistas estimam a taxa em 13%, cinco apostam em 13,5% e um, em 14,5%. Um economista não fez previsão.

Participaram da pesquisa: HSBC, Global Station, Bank Interamerican Express, Sul América Investimentos, Global Invest, Banco Fator, Tendências, Banco Schahin, Unibanco Asset Management, JP Morgan, CSFB, Banco de Tokyo Mitisubishi, Àgora Senior, MB Associados, AGK Corretora, Bradesco Asset Management, Banco Safra, Banco WestLB do Brasil, Bradesco, Rabobank.

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