Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Banco Central continua a enxugar gelo

Quarta, 26 de Janeiro de 2011 às 11:35, por: CdB

Nosso Banco Central (BC) e o governo muniram-se de mais um instrumento para atuar no mercado de câmbio e tentar segurar a queda do dólar: anunciaram que vão começar a fazer leilões para comprar dólares em operações a termo, pelas quais a moeda é entregue em uma data futura.

Ao mesmo tempo, além de anunciarem oficialmente essa nova modalidade de operações com dólares, executivos da área econômica governamental antecipam estudos para a adoção de tarifas protecionistas sobre importação de supérfluos. Não resolverão. Continuamos enxugando gelo. Basta ver o volume inédito de US$ 48,4 bi de investimentos diretos no país em 2010.

Ainda que essas medidas sejam importantes e bem vindas, com a alta dos juros, a política de desvalorização do dólar praticada por Washington, o crescimento de nossa economia e as oportunidades de investimento para o capital, inclusive para o  especulativo, oferecidas pelo Brasil, não há como evitar a valorização do real.

Entrada de capitais desmente desindustrialização


Podemos adiar e atenuar sua velocidade. Mas sem reduzir os juros e sem controlar a entrada de capitais especulativos vamos ter que cada vez mais proteger nossa indústria e comprar dólares, com os custos que já conhecemos dessas duas medidas.

Resta a esperança, remota, de um acordo mundial sobre o câmbio e o comércio, ou de uma mudança na política monetária do BC, que nesse momento soam como inverossímeis.  Mas, não deixa de chamar a atenção o volume de investimentos diretos externos na indústria - US$ 19,3 bi,  fora os US$ 9,92 bi para petróleo e gás.

Evidentemente, que não se pode subestimar o impacto (negativo) da valorização do real em vários setores de nossa indústria. Mas essa questão da entrada maciça e nesse volume é interessante porque desmente, cabalmente, a tese da desindustrialização do Brasil tão difundida pelos catastrofistas da oposição.

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