Por Liga Bolchevique Internacionalista 13/06/2011 às 22:07
O fôlego da burocracia governista da CUT-CTB em sabotar as greves das campanhas salariais reside, em boa medida, na ausência de uma política classista e independente por parte dos diversos setores de oposição no país
CAMPANHA SALARIAL BANCÁRIOS/2011
ROMPER COM O "SINDICALISMO DE PÉSSIMOS RESULTADOS" DA CUT E CONLUTAS
A data-base nacional da categoria bancária é setembro. Por parte da burocracia governista da CUT/CTB, a campanha salarial já começou, da mesma forma artificial e antidemocrática de anos anteriores. Iniciou-se nacionalmente uma consulta fajuta à base, através de um questionário casuístico que posteriormente servirá à burocracia sindical para legitimar sua pauta rebaixada, conferindo-lhe falsamente uma cobertura democrática, uma vez que sua "pauta" seria produto das sugestões da base da categoria. Mais uma arapuca para legitimar a subordinação política da burocracia sindical ao governo da frente popular.
O passo seguinte também já está em andamento com a preparação dos congressos nacionais dos bancos públicos como o Banco do Brasil, CEF e BNB, previstos para os dias 09 e 10 de julho, cujos delegados são eleitos sob critérios e instâncias nada democráticos. Depois, o processo será coroado com a realização das conferências regionais e nacional das federações e da CONTRAF/CUT que tem como objetivo aprovar e enfiar goela abaixo da categoria a farsa da estratégia da Mesa Única da Fenaban e uma pauta rebaixada para a campanha salarial de 2011.
O resultado dessa derrota anunciada já se conhece: finge-se que se mobiliza, se negocia, deixa a greve se estender um pouco para matá-la no cansaço através das assembleias divididas por banco, depois etiqueta como "conquista" as migalhas que caem da farta mesa dos banqueiros e do governo Dilma. Desse modo, a burocracia sindical busca sair da greve com o menor desgaste possível, perante os olhos desconfiados da categoria.
A organização da base da categoria sob uma orientação classista e independente é fundamental para derrotar a pelegada sindical que sabota a vontade da base, inclusive cassando qualquer resquício de democracia nas assembleias de base. No entanto, o fôlego da burocracia governista da CUT-CTB em sabotar as greves das campanhas salariais reside, em boa medida, na ausência de uma política classista e independente por parte dos diversos setores de oposição no país. Um exemplo clássico que tem se repetido nas últimas campanhas foi a política do MNOB, dirigido majoritariamente pelo PSTU, que apontou uma intervenção de dividir a categoria, ao defender as assembleias separadas e negociações por banco. Esta política só serve para fragilizar a categoria e auxiliar objetivamente a burocracia, os banqueiros e o governo a liquidarem nossa mobilização pelo efeito dominó, isto é, por banco, causando desmoralização e confusão na base.
Neste ano, a Frente Nacional Bancária de Oposição surgiu no Encontro Nacional de Oposições, realizado nos dias 2 e 3 de abril em Natal, cujo objetivo foi armar e unificar o conjunto das oposições classistas no país no enfrentamento político contra os banqueiros, o governo Dilma e a Contraf-CUT. No entanto, a FNBO, embora progressiva na tentativa de superar a fragmentação das oposições, resultou bastante limitada politicamente, uma vez que diante das divergências que delimitavam campo de classe e expressavam políticas opostas priorizou-se o conveniente consenso rebaixado entre as forças majoritárias do encontro (MR e PSTU). O MNOB que participou da construção da FNBO, agora resolveu sabotá-la, inclusive não distribuindo o jornal da frente, nem impulsionando o II Encontro Nacional da FNBO, previsto para o dia 18 de junho em Recife. Não contente, ainda fragmenta as iniciativas, convocando paralelamente o Encontro nacional do MNOB para o dia 25 de junho. Como se vê, as velhas questões de hegemonia e disputas internas de aparatos de uma política reformista tem norteado a intervenção desses setores de oposição. Desta forma, a vanguarda da categoria é a mais prejudicada porque está completamente desarmada para romper o cerco burocrático dos governistas, sem conseguir dar um salto de qualidade em sua organização de base.
Nós, da TRS que impulsionamos o MOB-CE, intervimos no MNOB e na FNBO em defesa de uma campanha salarial unificada, com a construção de uma mesa única de bancos públicos para obrigar o governo Dilma que se esconde atrás da Fenaban a conceder a mesma política salarial para o setor público (BB, CEF, BNB, BASA e federalizados). Afinal, diante de diversas pautas, também é preciso defender a convocação de um Encontro Nacional de Base da categoria, massivo e amplamente convocado para discutir e aprovar nossa pauta de reivindicações, subtraindo da Contraf-CUT o monopólio dessa decisão.
Nesse sentido, consideramos que a unidade deve ser aspirada e tratada sob uma perspectiva classista. Afinal, a única forma de retomarmos as campanhas salariais vitoriosas como aquelas que vivenciamos na década de 80, é retomar os históricos métodos de luta unitária da classe, com assembleias intercategorias, com piquetes radicalizados, paralisações em setores estratégicos. Para tanto, a direção a ser construída deve ser forjada a partir de uma nítida delimitação classista, que tenha como principal divisor de águas total independência política dos inimigos de classe entre os quais se inclui a própria burocracia sindical governista da CUT e CTB. Esta constitui-se a chave para a ruptura da blindagem burocrática e a consequente conversão em vitórias do latente potencial de luta dos bancários e trabalhadores de modo geral.
MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA (MOB)-CEARÁ
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