Por Liga Bolchevique Internacionalista 20/07/2011 às 17:52
É necessário construir um pólo verdadeiramente classista e combativo nesta campanha salarial que seja capaz de atropelar pela base as manobras e a política de colaboração de classes da burocracia governista, exigindo uma unificação real e não midiática dos bancários
Hyrlanda Moreira, dirigente do MOB-CE, intervém no plenário da Conferência
BALANÇO DA CONFERÊNCIA REGIONAL DA FETEC/NE
CONSTRUIR PELA BASE UM PÓLO ALTERNATIVO DE DIREÇÃO CLASSISTA
Como parte do calendário burocrático da CONTRAF-CUT para a campanha salarial dos bancários deste ano, aconteceu nos dias 15 e 16 de julho, em Recife, a XI Conferência Regional da FETEC/NE, que contou com a participação de 140 delegados, dos estados de Alagoas, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará. Pelo menos 15% (21) deles, foram delegados biônicos (natos), isto é, não eleitos em qualquer fórum de base, mas que cumpriram a função junto com os demais burocratas chapas-brancas da CUT e da CTB de blindar o governo Dilma, aprovando a mesma política de colaboração de classes das últimas campanhas.
Esta conferência regional assim como todas as outras são fóruns de cartas marcadas, descoladas da real vontade da base da categoria, servindo apenas como um filtro ou funil burocrático para garimpar e limitar a participação de ativistas classistas e de setores verdadeiramente de oposição na ingerência sobre os rumos da campanha salarial.
O caráter antidemocrático desse evento já não é nenhuma novidade, não só por sua composição política hegemonicamente governista e, previamente, definida com manobras e artifícios de ocasião, mas sobretudo pelo seu principal objetivo real, que foi eleger de forma indireta os delegados de confiança da burocracia à Conferência Nacional da Contraf-CUT, que será realizada entre os dias 29 e 31 de julho, em São Paulo, onde 675 "delegados" aprovarão uma pauta rebaixada e a surrada estratégia da Mesa "única" da Fenaban.
A presença da TRS/LBI, através da banca de materiais, notas e intervenções, pautou-se pela defesa da política de independência de classes tanto nos grupos como no plenário. Denunciamos o caráter burguês do governo Dilma e da natureza paraestatal da CUT/CTB que chamam os bancários a "disputar" e pressionar este governo, apesar de sua opção de classe estar bem definida em favor dos banqueiros e dos patrões. Também defendemos retirar o controle dos rumos da campanha salarial das mãos da burocracia governista, a partir das assembleias unitárias e democráticas, comandos eleitos na base, convocação de um encontro nacional ampla e massivamente para aprovar a pauta e estratégia de campanha, centralização e unificação com outras categorias, exigir a mesa única dos bancos públicos para obrigar o governo Dilma a conceder a mesma política salarial para os bancos estatais etc.
Nos grupos, houve várias polêmicas sobre o percentual de reajuste salarial, reposição das perdas inflacionárias passadas da era FHC até hoje, contra remuneração variável, gatilho salarial x repasse automático, mesas específicas, etc. Mas a discussão do índice revelou o caráter criminoso dessa política de colocar a categoria de joelhos perante os banqueiros e o governo. Enquanto a CUT defendeu que o índice de reajuste salarial a ser reivindicado seja composto pela inflação do período, estimada em 7,5%, mais pífios 5% de aumento real, a Intersindical/Psol, Conlutas/MNOB-PSTU, CTB/PCdoB, isto é, governistas e oposição se uniram na defesa da mesma política rebaixada, inflação mais, 10% de aumento. Entre 5 e 10%, a diferença é pouca, ainda mais se considerarmos que o índice de lucratividade dos seis maiores bancos brasileiros foi de 30% em 2010. Baseada nesse índice recorde de lucratividade dos banqueiros, nós da TRS que impulsionamos o MOB/CE defendemos que o índice fosse a inflação mais 30% como parte da luta por recuperar o que os banqueiros nos tomam diariamente com a brutal exploração e péssimas condições de trabalho, assédio moral, cumprimentos de metas absurdas, demissões, perseguições, descomissionamentos, falta de isonomia etc.
Afinal, o índice reivindicado aos banqueiros e ao governo Dilma demonstra para a categoria o grau de disposição, bastante tímido, com que as direções sindicais, governistas e até setores de oposição como o MNOB-PSTU, estão dispostas a se enfrentar com a patronal. Não por acaso, também defenderam as mesas específicas por banco com assembleias separadas.
Outro exemplo da capitulação aos governistas foi a questão da luta contra a inflação crescente. Enquanto a TRS defendeu o mecanismo de proteção salarial chamado de escala móvel de salários, isto é, o repasse automático da inflação aos trabalhadores, o MNOB-PSTU, em oposição a esta proposta, defendeu pela Articulação, o gatilho de 3%.
No último dia do evento, a burocracia tentou conferir uma cobertura e aparência democrática à Conferência, concedendo 5 minutos para as seis forças políticas (MNOB-PSTU, Articulação, CSD, Intersindical/PSOL, CTB/PCdoB e a TRS/LBI) se expressarem sobre a organização e estratégia da campanha salarial. Ao final, foram votadas as contribuições políticas: mais uma vez, se uniram a Articulação, a CSD, a Intersindical e a CTB em um claro acordo em favor da estratégia atual dos governistas que teve esmagadora e confortável maioria, o MNOB-PSTU obteve 1 voto e a TRS/LBI contou com três votos.
Por fim, na eleição dos 62 delegados à Conferência Nacional da Contraf-CUT, diante da capitulação e covardia políticas das oposições domesticadas e para coroar o quadro de amistosidade com a Intersindical e com o MNOB-PSTU, a Articulação formou chapa unitária com estes setores e, inclusive, lhes garantindo um delegado a cada força para a Conferência da Contraf-CUT. Considerando a truculência habitual dos governistas que cassam o direito das oposições se expressarem nas assembleias de base, há de se questionar as reais motivações dessa estranha benevolência da burocracia.
Tal conduta servil aos interesses da burocracia governista da CUT/CTB só serve para aparentar uma unidade na construção e preparação antidemocrática da campanha salarial, além de desmoralizar setores de oposição que estão sempre sedentos por uma boquinha, apressam-se a secundarizar divergências e princípios. Em seu balanço dessa conferência, a burocracia sindical da CUT já se aproveita dessa unidade reacionária com setores de oposição para comprometê-los junto a base, induzindo-a a achar que todos são farinha do mesmo saco, como bem diz um deles: "Foi uma Conferência histórica. A unidade dos bancários e o fortalecimento da categoria superaram todas as divergências e conseguimos fazer um debate maduro, além de eleger uma delegação com mais representatividade" (site Contraf-CUT).
Se os governistas de plantão manobram para ludibriar e dividir a categoria fazendo apelos formais e retóricos à unidade, a vanguarda combativa não pode deixar-se render ao impressionismo e ao mais vulgar e reacionário corporativismo que, a pretexto das especificidades de cada banco, sabota a mobilização conjunta entre privados e bancos públicos, contra aquilo que os une: arrocho salarial, assédio moral, demissões, condições de trabalho, isonomia, igualdade de tratamento etc.
Diante dessas capitulações, é necessário construir um pólo verdadeiramente classista e combativo nesta campanha salarial que seja capaz de atropelar pela base as manobras e a política de colaboração de classes da burocracia governista, exigindo uma unificação real e não midiática dos bancários.
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