Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Balança tem recorde em março e exportação segue em alta

Sexta, 01 de Abril de 2005 às 15:47, por: CdB

A balança comercial bateu recordes para o mês em março, inflada pelo crescimento das vendas de manufaturados e semimanufaturados. A expectativa do governo é que as exportações voltem a subir este mês e fiquem próximas de 10 bilhões de dólares.

No mês passado, o saldo comercial somou 3,349 bilhões de dólares, o maior volume já registrado em um mês de março. O resultado acumulado no ano, de 8,319 bilhões de dólares, também é recorde e supera em 35% o superávit do mesmo período de 2004.

As importações de março -5,902 bilhões de dólares - e as exportações - 9,251 bilhões de dólares - também foram recordes para o mês, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta sexta-feira.

O desempenho expressivo das exportações - que só foi inferior às vendas de junho de 2004 - ocorreu apesar de uma queda nos embarques de soja (redução de 17,2% no farelo) e de minério de ferro (-3,2%) na comparação com março do ano passado.

Essa redução foi compensada por um crescimento das vendas de manufaturados e semimanufaturados - de 31,9% e 37,9%, respectivamente - que atingiram valores recordes para o mês.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, no caso da soja, a queda ocorreu por um atraso nos embarques da safra na comparação com o ano passado e também por uma queda nos preços.

A redução na venda de minério se explica, ainda de acordo com Ramalho, pelo anúncio do aumento de cerca de 70% nos preços da Vale do Rio Doce.

- Nós acreditamos agora que as exportações (de minério de ferro) devem voltar a crescer.
 
- Mantida a performance do produto manufaturado... e os produtos básicos voltando a crescer, o que ainda não aconteceu em março, nossa expectativa é que a exportação brasileira nos próximos meses possa apresentar crescimentos ainda mais expressivos - afirmou, acrescentando que o volume de vendas pode chegar próximo a 10 bilhões de dólares.

Questionado se os resultados comerciais indicariam que o câmbio não está prejudicando as vendas externas, Ramalho afirmou que o país já tem hoje "uma cultura de exportação".

- A conquista de mercado exige um investimento bastante forte do exportador e a nossa avaliação é que o exportador vai continuar ampliando, ou pelo menos mantendo, a sua participação nas exportações brasileiras - sustentou o secretário.

A apreciação da taxa de câmbio em 2004 e no início deste ano foi motivo de preocupação dos exportadores. Em março, contudo, o dólar interrompeu nove meses de declínio e fechou em alta de 3,01%, cotado a 2,668 reais.

Ramalho destacou, ainda, que a taxa de câmbio afeta os setores de forma diferenciada.
Em fevereiro, o saldo comercial foi positivo em 2,787 bilhões de dólares e, em março do ano passado, de 2,583 bilhões de dólares.

Analistas do mercado vêm elevando há cinco semanas as estimativas de superávit comercial para o ano e apostam agora em um saldo de 29 bilhões de dólares. A estimativa do Banco Central é de um superávit de 27 bilhões de dólares, contra 33,7 bilhões de dólares acumulados em 2004.
Nos últimos 12 meses, as exportações brasileiras somaram o valor recorde de 101,478 bilhões de dólares, contra 77,487 bilhões nos 12 meses até março de 2004.

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