A balança comercial brasileira teve em abril o maior superávit já registrado, ajudada não só pelo aumento das vendas ao exterior, mas também por maiores preços de produtos exportados.
Driblando a apreciação do real, o superávit no mês passado alcançou 3,876 bilhões de dólares, o que levou as exportações acumuladas nos últimos 12 meses a superar 104 bilhões de dólares.
A meta para o ano continua sendo de 112 bilhões de dólares, com a possibilidade de o Brasil chegar à marca de 10 bilhões de dólares mensais.
"O desempenho de abril é coerente com essa meta, embora a média diária das exportações tenha ficado acima do esperado", disse a jornalista nesta segunda-feira o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho.
"Acho possível que, com a ampliação da exportação de alguns produtos da safra agrícola nos próximos meses, a média diária cresça ainda mais."
A média diária de exportações foi de 460,1 milhões de dólares --também recorde histórico.
"Houve crescimento das exportações em todas as categorias de produtos. Além do aumento do volume, vários produtos apresentaram aumento de preços", acrescentou Ramalho, em referência principalmente aos produtos básicos.
Entre os que mais apresentaram elevação dos preços, na comparação com abril do ano passado, estavam laminados planos, óleos combustíveis, café em grão e açúcar em bruto.
A média diária de importações também cresceu e chegou ao maior nível para meses de abril, de 266,3 milhões de dólares.
"A expectativa que temos para as importações é de que também continuem crescendo", disse Ramalho.
O avanço só não foi mais expressivo porque a importação de combustíveis e lubrificantes caiu 10,2 por cento frente a abril de 2004.
"Não temos informação detalhada sobre isso, mas como o Brasil tem consumo regular, (a queda) pode ser em função de logística de embarque."
Questionado sobre o impacto do real mais forte sobre as exportações, Ramalho lembrou que a pauta brasileira é diversificada --e, assim, o efeito não é o mesmo em cada setor.
O secretário informou que no ano passado houve o ingresso de 900 novas empresas exportadoras e de 600 novos produtos. Apenas no primeiro trimestre deste ano, as novas empresas chegam a 313.
Em abril, o dólar recuou 5,25 por cento em relação ao real --maior queda mensal em dois anos.
Para Alex Agostini, economista da consultoria GRC Visão, "a questão é que a queda do dólar começou mais ou menos em agosto e alguns setores dizem que o efeito na balança será em 12 meses".
Além disso, lembra o economista, o Brasil vem ampliando seus parceiros comerciais e em alguns setores trocando de posição, de importador para exportador.
No ano, a balança acumula superávit de 12,194 bilhões de dólares, ante 8,093 bilhões de dólares em igual período de 2004.
A corrente de comércio --que leva em conta importações e exportações-- também cresceu. Em 12 meses é equivalente a 28 por cento do PIB, ante 26 por cento de janeiro a dezembro de 2004. O ministério considera "importante" chegar a 30 por cento.
O mercado prevê, segundo pesquisa semanal do Banco Central, superávit de 34 bilhões de dólares em 2005, praticamente o mesmo valor do ano passado, quando o saldo positivo foi de 33,7 bilhões de dólares.