Praia combina com música eletrônica? Há tempos as baladas de Ibiza (na Espanha) já provaram que sim. Até no litoral brasileiro, ainda que de forma bastante tímida, a animação vem ganhando outro contorno musical além do samba e do reggae, juntos ou separados.
- Chega de axé - decretaram as adolescentes Camilla Fileto, de 19 anos, e Ariadne Pinna, de 17, numa recente tarde eletrônica em Maresias. Ok, ainda rolam os insuportáveis shows de Ivete Sangalo no Guarujá e ninguém parece muito predisposto a sair do sol para ficar pulando ao som de tecno, mas tanto os turistas quanto os caiçaras têm aderido com entusiasmo às baladas eletrônicas ao ar livre.
Carina César Matos, de 24 anos, moradora de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde nasceu, nem pegou uma cor ainda neste verão.
- Troco o dia pela noite, adoro música eletrônica e só volto para casa depois de dançar todas igual a uma louca - disse ela, se "acabando" nas coreografias com os amigos, ao som do drum'n'bass do DJ Patife. Percorrendo a costa brasileira desde dezembro ao lado do MC Cleveland Watkins, ele arrastou multidão de 11 mil pessoas no Recife, deve tocar hoje em Florianópolis e no sábado vai para Matinhos, no Paraná.
Não é preciso ir tão longe. Quem desce para o Litoral Norte de São Paulo, principalmente Ilhabela, tem bons motivos para acordar mais tarde. É ali que neste sábado (22) volta a rolar a terceira festa do Projeto Maré Claro Siemens, num grande navio cargueiro, de 107 metros de comprimento por 28 de largura, atracado a 500 metros da ilha. O Sirena, badalada casa noturna que tem filial em Maresias, montou uma pista no convés do navio. É a sensação do verão.
A aventura começa no embarque nas lanchas e escunas que saem do Pier 151 de Ilhabela. As luzes da pista e da bela decoração do deck do navio, chamam a atenção de longe. À medida que os barcos se aproximam e o som vai se definindo, o entusiasmo cresce. Entre meros curiosos e baladeiros convictos, tem gente que começa a dançar ali mesmo. A novidade repercute.
Entusiasmada a administradora Divana Gulin, de 27 anos, moradora de Curitiba, respondia à provocação sobre comparações com Ibiza, cujas festas conhece bem.
- A diferença é que lá as pessoas são muito loucas. É terra de ninguém. A galera aqui é mais comportada. Isso não quer dizer que sejam menos animadas. Estou adorando.
Duas amigas mineiras estampavam sorrisos:
- Isso é diferente de todas as baladas que fomos. A vista desse navio é maravilhosa.
Por trás desse glamour proporcionado pela 360º Below the Line, idealizadora do projeto, há um staff de 200 pessoas e a vigilância constante da segurança. De dia o navio tem outras atividades, como lan house, miniquadra esportiva, prática de bungee jump, parede de alpinismo. Mas é à noite que brilha. No carnaval, ele segue para Ubatuba e dali para o litoral de outros Estados.
Com capacidade para 1 mil pessoas, o cargueiro chega a receber mais 2 mil baladeiros numa noite. A consumação mínima é de R$ 20 para mulheres e R$ 50 para homens. Quem quiser esticar a madrugada tem outra opção bacana na volta à ilha. Trata-se do projeto Summer Jam, que vai até 8 de fevereiro com happy hour e shows de bandas, seguidos de noitadas à base de eletrônica. A atração principal de hoje é a ótima dupla de hip-hop Veiga & Salazar.
A balada rola no restaurante Tuna Fish, situado ao lado do Yacht Clube Ilhabela.
- A idéia é ter música do pôr ao nascer do sol - explica Marcelo Beraldo, sócio, gerente operacional e programador musical do projeto.
- É o único lugar com shows de bandas ao vivo em todo o litoral de São Paulo - entusiasma-se. A casa tem capacidade para 600 pessoas e as reservas podem ser feitas pelo tel. (12) 3896-2915. A beleza do lugar fala por si e o espaço das festas não fica atrás. Contemplar a paisagem a partir do deck sobre o mar iluminado já vale o ingresso (R$ 20 para homem, R$ 15 p
Baladas eletrônicas no litoral brasileiro ganham força
Sexta, 21 de Janeiro de 2005 às 14:01, por: CdB