Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Baixaria: Irã x ocidente

Por Armindo Trevisan - É um atraso civilizacional o Irã não saber responder à altura às insolências do Ocidente. Preferiu a baixaria. A mesma baixaria que Hitler incentivou entre os seus asseclas, quando ridicularizava, sob qualquer pretexto, os judeus. (Leia Mais)

Domingo, 19 de Fevereiro de 2006 às 18:14, por: CdB

Publiquei na agência Carta Maior, recentemente, uma crônica intitulada Respeitemos Maomé. Nela, eu defendia o direito dos islâmicos (e dos crentes de outras religiões) ao respeito por seus ícones sagrados. Não pensava que, quase imediatamente, um país islâmico iria tomar a iniciativa de satirizar uma das coisas mais horrorosas a que o mundo assistiu nos últimos séculos: o massacre dos judeus nas câmaras de gás. A insanidade está atingindo níveis perigosos. Quando se começa a negar o histórico é porque a loucura, não só é loucura, quer ser loucura.

A agressão física começa, na maioria dos casos, por uma agressão psíquica. Até as guerras são precedidas por uma "Declaração de Guerra". Daí ter Cristo proibido aos seus seguidores não só a agressão física, mas também a cultura in pectore de pensamentos e afetos hostis aos seus semelhantes.

A sátira, no fundo, é uma bofetada sem estalo, uma facada sem derramento de sangue. Satirizar alguém - ou alguma coisa - é como cuspir-lhe na roupa. É que a nossa civilização ocidental tornou-se tão grosseira (até mesmo bárbara) que já não notamos isso. Amanhã ou depois, chegaremos à perfeição de agredir as pessoas sem as fazermos sofrer, eliminando-as com métodos anestésicos. Será uma invenção sofisticada: a da eutanásia psíquica. Penso, porém, que o ódio não se vai satisfazer com isso: o aspecto sádico voltará, uma vez que faz parte dele.

É um atraso civilizacional o Irã não saber responder à altura às insolências do Ocidente. Preferiu a baixaria. A mesma baixaria que Hitler incentivou entre os seus asseclas, quando ridicularizava, sob qualquer pretexto, os judeus. Após, naturalmente, esgotar essas baixarias, o ditador encontrou "a solução final".

Na semana passada, Tariq Ramadan, um intelectual islâmico de renome, declarou:

- Devemos ter cuidado com aquilo em que achamos graça. Num universo de tantas referências, algumas pessoas podem não achar graça nenhuma em determinado assunto. Os muçulmanos não estão habituados a fazer piada com religião.

Acrescentaria às palavras de Ramadan: nem nós, ocidentais, gostamos de fazer piada com milhões de pessoas, que acabaram reduzidas a cinzas nos crematórios.

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