Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Baixar os juros, a única solução

Quinta, 10 de Fevereiro de 2011 às 10:35, por: CdB

Muito preocupantes os dados divulgados pelo Banco Central (BC) a respeito da elevada entrada líquida de dólares no nosso país. Apenas em janeiro, ela totalizou US$ 15,5 bi - o maior valor desde junho de 2007. Em termos de comparação, janeiro totalizou 63,7% dos dólares que ingressaram no mercado nacional em todo o ano de 2010 - US$ 24,3 bi.

Na avaliação dos analistas, isto se deve à onda de captação de dólares no mercado externo promovida por empresas brasileiras que buscam as atraentes taxas internacionais. Lançam seus papéis no exterior porque, afinal, os recursos estão mais baratos lá fora, com taxas infinitamente mais baixas do que as nossas. Já nós, continuamos incluídos entre os países com juros mais altos do mundo.

E olha que o nosso governo já tomou uma série de medidas para conter a situação: dobrou duas vezes o IOF para aplicações de estrangeiros em renda fixa elevando-o de 2% para 6%; aumentou a tributação sobre a margem de operações no mercado futuro; o BC começou a fazer leilões de dólar no mercado a termo; e, também voltou a ofertar, depois de um ano e meio, contratos de "swap cambial reverso", que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro.

Uma equação que não fecha


Pois bem, medidas como taxar a entrada de dólares, e impor barreiras administrativas ou mesmo o controle de câmbio, tudo indica, não são suficientes. Está mais do que claro: a busca de lucros - seja no mercado financeiro, seja no setor produtivo - pelo capital abundante continua. Não encontrando oportunidades nos desenvolvidos com juros negativos e baixo crescimento, este capital continuar a correr para países como o Brasil.

Resta a pergunta: como diminuir essa enxurrada de dólares com as taxas (Selic de 11,25% ao ano) que temos? Fora o fato de que estes juros agravam ainda mais a valorização cambial. Provado: as medidas corretas do governo até agora não surtiram efeito. Tanto a entrada de dólares continua aumentando quando o real prossegue valorizado.

Trata-se, claramente, de uma equação que não fecha. Ainda bem que isto não ameaça o crescimento do país já que mantém a inflação sob controle, valoriza os salários, permite a importação de tecnologia e equipamentos e mesmo a diminuição da pressão da demanda sobre a produção nacional.

Mas, meus amigos, na verdade a solução é e continua a ser uma só: reduzir os juros para diminuir a diferença entre os que são pagos aqui e os lá de fora.

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