Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Baixa demografia pode acabar com Israel

Por Rui Martins - O jornal Expresso, de Lisboa, dá destaque ao crescimento demográfico dos árabes e ao próximo momento em que israelenses judeus serão minoritários em Israel. Embora os judeus ultraortodoxos tenham também muitos filhos, não é o suficiente para compensar a fertilidade dos fundamentalistas islamitas do Hamas. Para os especialistas, só a criação do Estado Palestino e uma troca entre áreas habitadas por israelenses e palestinos poderá evitar o desaparecimento futuro de Israel.

Quinta, 29 de Julho de 2010 às 07:39, por: CdB

Não se trata de uma bomba nuclear programada para arrasar Israel, coisa improvável mesmo se os iranianos tiverem a bomba, pois destruiria também os palestinos. É outro tipo de bomba, gerada na cama, entre gemidos e suspiros, é a bomba demográfica. "O ventre da mulher árabe é a minha mais forte arma", dizia Yasser Arafat. O jornal Expresso, de Lisboa, dedicou duas páginas, na semana finda, para essa questão, tantas vezes descartada pelos israelenses. As informações foram colhidas com o israelense Arnon Soffer, do departamento de Geografia da Universidade de Haifa. Se Israel em há quase seis milhões de israelenses judeus, igual número de habitantes se obtém somando-se os palestinos e árabes em geral que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaz e dentro de Israel. E a coisa se complica para Israel ao se saber que a população israelense cresce no ritmo de 1,3% ao ano, enquanto a dos árabes progride quase no dôbro, 2,5%. Atualmente, vivem dentro de Israel 20% de cidadãos árabes e muitos israelenses deixam o país anualmente em consequência da falta de segurança para o futuro da família. Soffer argumenta haver três maneiras de se impedir que Israel passe a ter uma maioria de população árabe – voltar a encorajar a imigração de judeus para Israel (nos EUA vivem praticamente tantos judeus quantos os que vivem em Israel, 5.280 milhões; no Canadá são 374 mil e na Argentina e Brasil somam 280 mil e mais de 1.5 milhão na Europa); investir na educação das mulheres muçulmanas, já que assim normalmente têm menos filhos e não anexar a Cisjordânia, dentro do projeto de uma nação para dois povos. Sergio Dellapergola, da Universidade Hebráica de Jerusalém, acha que a melhor solução seria a dos dois Estados, um israelense e outro palestino, mas depois de um acordo de mudanças de fronteiras pelo qual o Estado de Israel englobe as atuais colônias da Cisjordânia, onde vivem 300 mil colonos, em troca de parcelas de Jerusalém e da chamada Linha Verde, habitadas por árabes. Entretanto, essa solução possível no papel tem como ferrenhos opositores os judeus ultraortodoxos, ainda sonhando com o Grande Israel ou um retorno às antigas fronteiras bíblicas. Ora, segundo Soffer, se esta hipótese fosse viável, os judeus israelenses seriam minoritários, mesmo se os judeus ultraortodoxos têm também muitos filhos. Diante da intransigência dos judeus ultraortodoxos que se negam a ceder a Cisjordânia aos palestinos ou outro tipo de permuta, Soffer - conta o jornal Expresso - diz ter mais medo dos judeus fanáticos que dos árabes. E, repetindo o que muitos israelenses começam a pensar, afirma - "se depender de mim, meus netos não viverão num Estado religioso típico da Idade Média. Iremos todos viver em Portugal". Rui Martins é jornalista e escritor, ex-correspondente da CBN e Estadão, é líder emigrante, criador dos movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado do Emigrante. Foi membro eleito do primeiro Conselho de Emigrantes junto ao Itamaraty.

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