Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Bairros de SP terão de zerar fila para educação infantil até 2016

O desembargador Samuel Alves de Melo Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que os bairros pertencentes ao Fórum do Jabaquara, na Zona Sul da cidade, terão de zerar a fila de espera por vagas em creches e pré-escolas até 2016, sendo que metade da demanda deverá ser atendida em até 18 meses.

Quinta, 05 de Dezembro de 2013 às 13:11, por: CdB
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Em outubro, a fila de espera por uma vaga em creche era de 170.472 crianças
O desembargador Samuel Alves de Melo Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que os bairros pertencentes ao Fórum do Jabaquara, na Zona Sul da cidade, terão de zerar a fila de espera por vagas em creches e pré-escolas até 2016, sendo que metade da demanda deverá ser atendida em até 18 meses. A decisão, deferida na segunda-feira, é resultado de uma ação civil pública, movida em 2010 por grupos sociais, que exigia matrícula imediata das crianças de 0 a 5 anos, o atendimento de toda a demanda cadastrada na cidade e a elaboração de um plano de expansão de vagas. - A ideia é que até 2016 não haja mais fila de espera nessa região - afirmou o advogado Salmão Ximenes, da ONG Ação Educativa. - Vamos ficar muito atentos agora em garantir a expansão com qualidade e para que a redação do voto (do desembargador) dê conta do atendimento da demanda atual e não de 2010, quando o processo foi iniciado. Se isso não estiver claro, vamos pedir embargo de declaração. O Fórum do Jabaquara e o Tribunal de Justiça não souberam especificar quais são os distritos atendidos, porém a área inclui Jabaquara, Saúde, Cursino e parte da Vila Mariana. Nestes bairros, a fila por vagas na educação infantil em outubro era de 5.419 crianças, sendo 5.202 em creches, para os bebês de 0 a 3 anos, e 217 na pré-escola, para crianças entre 4 e 5 anos. Em 2010, a fila era de 4.054, sendo 3.448 em creches e 606 na pré-escola, segundo a Secretaria Municipal de Educação. O órgão informou que vai esperar a publicação do voto do desembargador, ainda sem data prevista, para avaliar se irá recorrer.  Além do desembargador Melo Júnior, outros dois decidiram no processo: Antonio José Silveira Paulilo e Antonio Carlos Tristão Ribeiro, o único a votar contra a medida. No próximo dia 16, os desembargadores Melo Júnior e Paulilo decidirão outra ação civil pública relacionada a ampliação das vagas em creches, de relatoria do também desembargador Walter de Almeida Guilherme. O processo, movido em 2008, cobra a apresentação de um plano público de expansão de vagas, o cumprimento de parâmetros de qualidade e a destinação de recursos orçamentários para educação infantil. A última audiência para decidir o caso, no último dia 25, terminou sem decisão. Melo Júnior já havia convocado uma audiência de conciliação em 4 de novembro, que acabou sem consenso. Antes disso, ele convocou uma audiência pública, em 29 e 30 de agosto, para discutir o déficit de vagas em creches. “Nossa expectativa é positiva. Esperamos conseguir chegar a um acordo para a ampliação dessa determinação para todo o município”, avalia Ximenes.
Na reunião de 4 de novembro, a administração Fernando Haddad (PT) propôs cumprir a meta federal, de matricular 50% das crianças de 0 a 3 anos do município em creches, até o final da gestão. Segundo a prefeitura, o total corresponderia a 43 mil das 150 mil novas vagas previstas no Plano de Metas do governo. Em outubro, a fila de espera por uma vaga em creche era de 170.472 crianças e na pré-escola 14.701. As organizações Ação Educativa, Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP) e Instituto Padre Josimo Tavares, que moveram as ações, consideraram a proposta “muito abaixo do esperado”, segundo nota oficial publicada em 5 novembro. Segundo o texto, não houve “concordância” da prefeitura de assumir, perante o Judiciário, o compromisso de criação das 150 mil vagas, uma “oportunidade de reafirmar, judicialmente, as propostas assumidas no Plano de Metas”. A gestão petista propôs também a criação de uma fila prioritária para atender com mais agilidade às crianças mais pobres, de forma que a cada dez vagas, duas sejam para as crianças de famílias com renda per capita mensal de até R$ 70. Além disso, o município propôs publicar relatórios semestrais listando tudo o que é feito na secretaria para ampliar o atendimento da educação infantil, além de criar indicadores de qualidade para tentar equiparar o ensino oferecido nas creches de administração direta e nas conveniadas.  
 
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