Peregrinações desse gênero já tiveram conseqüências fatais, como em 2005, quando quase mil pessoas morreram num tumulto causado pelo boato de que havia um homem-bomba entre os peregrinos.
Grande parte das vítimas era composta de mulheres, crianças e idosos que morreram pisoteados ou afogados no rio Tigre em meio ao pânico e ao corre-corre.
Neste ano, 1,8 mil homens, entre policiais e outros agentes de segurança, protegem a mesquita de Kadhimiya, no norte de Bagdá, ponto final da peregrinação. O tráfico na área foi proibido.
Além do policiamento ostensivo no local, foram instalados postos de controle na região da mesquita com o objetivo de impedir possíveis ataques, especialmente em lugares onde multidões tendem a se concentrar.
Também serão usados policiais à paisana para circular entre os peregrinos.
Participação discreta
Já as forças de segurança dos Estados Unidos terão participação discreta na operação, mantendo-se longe da mesquita, para evitar ferir suscetibilidades religiosas, segundo os próprios militares americanos.
Em um ritual repetido anualmente, um grande número de xiitas caminha para a mesquita de Kadhimiya, um dos templos mais sagrados do islamismo e onde se acredita que o imã Musa Kadhim, líder muçulmano do século 8, esteja enterrado.
A peregrinação marca a morte de Kadhim, o sétimo imã mais reverenciado pelos xiitas, no ano 799.
O correspondente da BBC em Bagdá, Andy Gallacher, informa que a mesquita é considerada alvo para insurgentes iraquianos.
A peregrinação inclui rituais de flagelamento como fiéis se amarrando a correntes de ferro e cortando as suas testas com espadas, que haviam sido banidos no governo de Saddam Hussein.
Hoje, porém, eles significam uma espécie de demonstração de força dos xiitas no Iraque, diz o correspondente da BBC.