O Chile elegeu no domingo a socialista Michelle Bachelet como sua primeira presidente, transformando-a na segunda mulher da América do Sul a ser chefe de Estado. Médica por formação e ex-ministra da Defesa, Bachelet é apenas a segunda mulher a ser eleita para chefiar um país sul-americano. Janet Jagan foi escolhida para suceder o marido na Guiana após a morte dele, em 1997.
As comemorações pela vitória da candidata chilena entraram noite adentro. Bachelet, uma agnóstica mãe de três filhos nascidos de dois relacionamentos, prometeu, durante seu discurso de vitória, promover a igualdade social no Chile durante seu mandato de quatro anos, previsto para terminar em 2010.
- Gostaria que meu governo fosse lembrado como sendo um governo para todos - afirmou.
Segundo o cientista político Ricardo Israel, alguns dos principais desafios dela serão conseguir colocar mais mulheres em cargos públicos e encontrar um lugar para a coalizão chilena dentro do leque de governos esquerdistas atualmente no poder na América Latina. Israel disse que Bachelet terá de buscar um equilíbrio entre manter boas relações com a comunidade internacional, com destaque para os EUA, e garantir o suprimento de gás natural vindo de países vizinhos.
A vitória da candidata consolida a virada para a esquerda da América Latina, onde políticos esquerdistas lideram o Brasil, a Argentina, o Uruguai e a Venezuela. Além disso, o ex-líder cocaleiro Evo Morales toma posse na Bolívia no final deste mês e um outro esquerdista é apontado como favorito para vencer as eleições presidenciais no México.
- Acho que ela terá de tomar uma decisão muito em breve sobre participar ou não da cerimônia de posse de Evo Morales, no dia 22 de janeiro - afirmou Israel, fazendo referência à tensão que cerca as relações entre os dois países.