O deputado federal João Batista Oliveira de Araújo, o Babá, (PT-PA), criticou a decisão do governo de elevar a meta de superávit primário, de 3,75% para 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto), anunciada hoje pelo ministro Antonio Palocci (Fazenda). "A elevação do superávit é consequência da política de elevação dos juros, que nós [ala radical do PT] já vínhamos criticando. Somos contra a elevação dos juros e do superávit, pois dá continuidade à política econômica de [Pedro] Malan e [Armínio] Fraga", disse. Segundo Babá, a elevação do superávit primário "sinaliza que não houve ruptura" com o modelo econômico de Fernando Henrique Cardoso, que foi criticado durante a campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Babá disse que a elevação do superávit primário vai exigir "mais sacrifícios" da população. "O governo terá que cortar despesas para pagar juros. Não tem mais o que cortar no Orçamento. Só sobraram os recursos orçamentários para investimentos." O deputado explicou que os recursos destinados na rubrica "investimentos" do Orçamento é destinado para a construção de obras, escolas, universidades. "É corte de gasto social." A meta fiscal de 4,25% anunciada hoje por Palocci é a maior imposta ao país, pelo menos, desde que o Brasil fechou o primeiro acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), em 1998. A política de ajuste fiscal do Brasil começou a ter metas a serem seguidas em 1999. Naquele ano, o setor público tinha que economizar o equivalente a 3,1% do PIB. Para 2000, a meta subiu para 3,4% do PIB; e para 2001, 3,35% do PIB. No entanto, em 2001, o esforço fiscal superou a meta estabelecida, atingindo 3,7% do PIB.
<i>Babá</i> diz que aumento de superávit vai "sacrificar mais" a população
Sexta, 07 de Fevereiro de 2003 às 15:36, por: CdB