Aviões da comunidade internacional iniciaram neste sábado (19/03) a implementação da zona de exclusão aérea sobre a Líbia, a fim de paralisar ataques do exército de Kadafi em Bengasi. O anúncio foi feito neste sábado em Paris pelo presidente francês, Nicolas Sarkzoy, logo após reunião com chefes de Estado da UE e representantes da ONU, da Liga Árabe e da União Africana.
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Caças franceses Rafale sobrevoaram hoje "todo o território líbio" em missão de reconhecimento, segundo fonte militar francesa. Os caças decolaram ao início da tarde da base de Saint-Dizier, no leste de França, onde estão habitualmente estacionados. Essas "missões de reconhecimento" devem durar toda a tarde do sábado. Até ao momento os aviões não encontraram qualquer dificuldade.
Os caças Rafale foram concebidos para missões de bombardeamento, de reconhecimento e de defesa aérea. Trípoli afirma que impôs um cessar-fogo nos combates com os rebeldes, mas informações provenientes do terreno asseguram que os combates prosseguem em Bengasi e em Misurata.
Governo nega ataques
Aviões de combate foram vistos no espaço aéreo, desafiando o bloqueio autorizado pela ONU, enquanto as forças terrestres de Kadafi estariam tentando entrar em Bengasi, apesar das exigências mundiais para um cessar-fogo imediato
Em conferência de imprensa, o vice-ministro líbio do Exterior, Khalid Kaim, garantiu que a cidade continua sob cessar-fogo declarado pelas autoridades. "As Forças Armadas líbias estão fora de Bengasi e não têm intenção de entrar", afirmou.
O porta-voz do governo, Ibrahim Mussa, negou que as tropas nacionais tenham investido contra qualquer cidade da Líbia neste sábado, e acusou os rebeldes de quebrar a trégua, atacando unidades militares. "Nossas forças continuam a recuar e se esconder, mas os rebeldes bombardeiam e continuam nos provocando", afirmou.
Os rebeldes, por seu lado, afirmaram que as tropas leais a Kadafi avançam até Bengasi, encontrando-se a 50 quilômetros da cidade. Essas informações surgem quando França, Estados Unidos, Reino Unido e alguns países árabes instaram a Líbia a acabar "imediatamente" com os ataques contra os civis.
Um avião que teria sido abatido sobre a cidade de Bengasi aparentemente não faz parte do arsenal do governo. Segundo informações de um representante dos insurgentes, ouvido pela agência de notícias AFP, o caça era um Mirage, de fabricação francesa, e estava a serviço dos rebeldes.
Bildunterschrift: Cercanias de Ras Lanuf. Ao fundo, fumaça se ergue do Porto de Sirdra
Mortos e feridos
A rede de TV Al-Jazeera informou neste sábado que havia 26 mortos e mais de 40 feridos no hospital Jala, em Benghazi, depois que a cidade foi bombardeada.
"A comunidade internacional está muito atrasada em suas ações”, reclamou Mustafá Abdel-Jalil, líder do Conselho Nacional em Bengasi em entrevista à emissora Al Jazeera. "Sabemos que a Liga Árabe apoiou uma zona de exclusão aérea há uma semana, e a resolução da ONU foi aprovada na quinta-feira. Assim, não há justificativa que não seja implementada.". Abdel-Jalil afirmou que as áreas residenciais de Bengasi estavam sob ataque de artilharia e tanques.
Os hospitais foram tomados pelas vítimas, segundo ele, que afirmou ainda que os rebeldes não tinham armas ou homens necessários para enfrentar as forças leais a Kadafi. As forças do governo bombardeavam os subúrbios do leste de Bengasi no sábado, apesar do cessar-fogo imediato decretado pelo governo no dia anterior. Moradores fugiram para áreas a leste, depois que as forças pró-Kadafi entraram nos subúrbios da parte oeste da cidade.
Trípoli culpa Al Qaeda
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Enquanto isso, forças do governo líbio estariam sob ataque a oeste de Bengasi, conforme informações da agência de notícias oficial. A declaração acusou "membros da Al Qaeda" de atacarem unidades das Forças Armadas estacionadas a oeste de Bengasi.
A Líbia tinha anunciado cessar-fogo imediato em todas as operações militares contra os rebeldes na sexta-feira, após o Conselho de Segurança ter aprovado uma resolução impondo uma zona de exclusão aérea sobre o país. A resolução proíbe voos no espaço sobre a Líbia, e autoriza "todos os meios necessários" para implementar a proibição.
Em uma carta aos líderes mundiais lida no sábado por um porta-voz do governo, Kadafi disse que a resolução do Conselho de Segurança era nula, pois este não têm o direito "de interferir nos assuntos internos do país. O líder líbio qualificou a resolução como uma "agressão clara e injusta".
MD/afp/ap/dpa/lusa
Revisão: Augusto Valente