Cenário de vários acidentes, o último deles entre uma moto e um carro que matou quatro pessoas no domingo, a Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, é considerada uma das vias mais perigosas da cidade. Nem tanto pelas condições da via, mas principalmente, pela imprudência dos motoristas, segundo a capitã Andréa Bilate, que coordena as estatísticas do Grupamento de Socorro de Emergência (GSE), do Corpo de Bombeiros. Apesar dos radares de controle de velocidade, os motoristas não respeitam as limitações e muitas vezes ignoram os sinais dos cruzamentos.
— Embora bem sinalizada e com radares para limitar a velocidade, os motoristas continuam perigosos, sem respeitar as leis de trânsito. Por ter pistas largas e restas e asfalto em bom estado, infelizmente, ela propicia estatísticas negativas, com muitos acidentes. Cerca de 60% de todo acidente de trânsito é resultado de uma infração — observou a capitã.
Das 1.133 vítimas socorridas pelo GSE na Barra da Tijuca, de janeiro a agosto deste ano, 604 vítimas estavam envolvidas em acidentes na Avenida das Américas. Em 2005, das 1.221 vítimas da Barra, 780 estavam na via, enquanto que em 2006 das 1.498 vítimas, 846 estavam na principal avenida do bairro. Em todos os casos, 33% das vítimas têm entre 21 e 30 anos.
Mapeamento dos acidentes por veículo
O acidente do último domingo deixou em alerta as autoridades de trânsito. De acordo com a coordenadora de estatísticas do Detran-RJ, Alda Fernandes Araújo, o número de acidentes envolvendo motocicletas vem aumentando na mesma velocidade com que cresce a frota. Os índices são tão altos que o Detran-RJ vai passar a mapear aos acidentes por tipo de veículo.
De acordo com dados do Detran-RJ, em julho de 2001, havia 80.055 motos circulando pela cidade. Seis anos depois, a frota fluminense pulou para 142.570 motos registradas. Segundo Alda, houve um crescimento da frota de carros da ordem de 3% de 2005 para 2006, e de 8% com relação ao número de motos, no mesmo período.
— Nossas estatísticas são baseadas nos registros dos acidentes feitos nas delegacias. Nem todos têm a especificação detalhada do veículo. Mesmo assim, conseguimos levantar que em 2006, só com quedas de motos no estado, 89 pessoas morreram e 9.092 ficaram feridas. Isso é um número assustador — disse a coordenadora.
No ano passado, segundo Alda, foram registrados 1.440 acidentes envolvendo motociclistas, que fizeram 9.092 vítimas entre mortos e feridos. Somente em quedas de motos foram registradas 89 mortes.
De acordo com as estatísticas do Detran-RJ, os números da Avenida das Américas não são nada animadores. Das 479 vítimas de acidentes ocorridos no ano passado, 33 foram fatais. Alda destaca ainda que do total de vítimas, 145 tinham idade entre 13 e 29 anos.
— Durante todo o ano passado o Rio registrou em média sete mortos por dia em acidentes. No Estado, todos os dias morrem de um a dois jovens no trânsito. Isso é um absurdo. É preciso investir em educação, conscientização e prevenção para mudar o comportamento dos jovens no trânsito — disse a coordenadora do Detran-RJ.