Uma autoridade iraniana esclareceu nesta quarta-feira as dúvidas sobre a capacidade do país de produzir combustível nuclear em escala industrial e disse que o ceticismo em relação ao seu programa provou-se incorreto no passado.
"Talvez achássemos que precisaríamos de mais tempo para chegar ao estágio industrial, mas devido aos esforços dos nossos especialistas já chegamos a este estágio", disse o vice-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Saeedi, em declarações divulgadas pelo site da emissora estatal do país.
O Irã declarou na segunda-feira que começou a enriquecer urânio em escala industrial. O Ocidente teme que o país use o processo para fazer bombas atômicas. Teerã afirmou também que introduziu matéria prima em um sistema de 3.000 centrífugas que está construindo. O país insiste que o projeto é de produção de combustível para usinas de energia, e não para bombas.
As declarações de segunda-feira do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de dirigentes do programa nuclear iraniano deram poucos detalhes e não incluíram um comunicado claro sobre o número de novas centrífugas em operação. Saaedi também não deu detalhes nesta quarta-feira.
A Rússia, potência mais próxima do Irã, disse na terça-feira que "não está ciente de novos avanços tecnológicos". Diplomatas que acompanham o caso do Irã também manifestaram dúvidas e uma autoridade da Alemanha também fez eco às incertezas nesta quarta-feira.
"Há uma grande dúvida se há realmente 3.000 centrífugas. Provavelmente teremos mais informações nos próximos dias, quando os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverão ir a Natanz", disse Gernot Erler, vice-ministro do Exterior da Alemanhã, à rádio alemã.
Dois inspetores da AIEA começaram uma visita de rotina ao Irã para monitorar a instalação de Natanz, onde o Irã faz o trabalho de enriquecimento. Eles podem dar a primeira avaliação independente sobre a declaração iraniana.
PROBLEMAS TÉCNICOS
O negociador nuclear do Irã, Ali Larijani, também rejeitou as dúvidas do Ocidente e disse que o Irã quer negociar para encerrar a disputa nuclear, que levou o Conselho de Segurança da ONU a adotar sanções contra o país.
"Sempre dissemos que estamos dispostos a resolver este problema através de negociações, e a presente situação no progresso nuclear do Irã pode mais do que nunca preparar o terreno para elas", disse Larijani, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.
O Irã já fez outras declarações sobre avanços, mas especialistas dizem que sempre há problemas técnicos."No ano passado, quando falamos sobre o sucesso da instalação da cadeia de 164 centrífugas, houve dúvida por um ou dois meses, até que a AIEA admitiu, depois das inspeções e do recolhimento de amostras, que os cientistas iranianos tiveram sucesso", disse Saeedi.
Há um ano, a AIEA confirmou que o Irã conseguiu enriquecer urânio pela primeira vez, em pequenas quantidades, depois de uma declaração neste sentido feita por Ahmadinejad. O Irã pode fazer material suficiente para uma bomba atômica por ano com 3.000 centrífugas, mas desde que as máquinas funcionem sem problemas, dizem especialistas ocidentais.