O mercado brasileiro elevou o prognóstico para a inflação neste ano, prevendo preços um pouco acima do centro da meta do governo, mostrou o relatório Focus do Banco Central nesta segunda-feira. O cenário para os juros e crescimento ficou estável. De acordo com as expectativas do mercado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano deve ficar em 4,60%, ligeiramente acima do centro da meta de 4,50% perseguida pelo governo, e com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Para 2011, o mercado manteve a previsão de que o IPCA deve ficar exatamente no centro da meta, a 4,50%. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano seguiu em 5,30% neste ano e em 4,5% em 2011. A estimativa para a Selic também foi mantida em 11,25% neste ano e em 11% em 2011.
Saldo comercial
O saldo (superávit) da balança comercial na terceira semana de janeiro ficou em US$ 71 milhões. As exportações alcançaram US$ 3,105 bilhões e importações, US$ 3,034 bilhões. Mesmo com o resultado, o saldo acumulado no mês permanece negativo em US$ 896 milhões. Na média por dia útil, as exportações foram de US$ 536,7 milhões e as importações, de US$ 596,5 milhão, resultando em um saldo negativo na média por dia útil de US$ 59,7 milhões.
Se comparado porém com janeiro de 2009 houve um incremento de 137,1% na média por dia útil e um decréscimo de 160,3% em comparação a dezembro do ano passado.
Uso da energia
Um dos principais parâmetros para a verificação da saúde econômica do país, o consumo de energia no Brasil apresentou expressiva alta em dezembro contra o mesmo mês de 2008, auge da crise econômica global, mas encerrou 2009 com queda de 1,1%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O consumo de energia no país no mês passado totalizou 34,5 gigawatts-hora (GWh), aumento de 8,4% em relação a dezembro de 2008, puxado pela expansão nos segmentos residencial e comercial, sobretudo na região Sudeste.
As indústrias também usaram mais eletricidade, com avanço, em nível nacional, de 6,6% no mês passado na comparação anual. No acumulado de 2009, o consumo totalizou 388.204 GWh, abaixo dos 392.688 GWh de 2008. O resultado no ano foi prejudicado pela queda de 6% no uso de energia pelas indústrias no país, enquanto os segmentos residencial e comercial apresentaram altas de cerca de 6% cada, segundo a EPE.
"Como ressaltado ao longo do ano, o mercado brasileiro de energia elétrica sofreu forte impacto da crise financeira internacional, porém seus efeitos se concentraram na classe industrial, como consequência da imediata e profunda retração da atividade deste segmento", conforme a EPE.
A EPE destacou que a demanda interna se manteve aquecida em 2009 devido "a medidas tomadas pelo governo para minimizar os efeitos da crise, entre elas a redução seletiva de impostos, a redução dos juros e a expansão do crédito".