Onze dias após a catástrofe que assolou o país, o governo do Sri Lanka põe em prática um programa para fornecer assistência psicológica às vítimas dos tsunamis.
O Centro de Operações Nacionais (CON), criado pela presidenta Chandrika Kumaratunga, informou nesta quinta-feira através de um comunicado o início de um programa para oferecer assistência psicológica às vítimas imediatamente, e também a médio e longo prazo.
- O programa está baseado em um sistema adaptado à cultura do país e destinado a atender tanto as crianças como os adultos - diz a nota, que assegura ainda que a prioridade será normalizar:
- As condições das vítimas e fazer com que as crianças voltem às escolas o mais rápido possível.
Segundo um porta-voz do CON, "há milhares de pessoas entre os 800 mil deslocados que precisam de ajuda psicológica. Nosso primeiro esforço será identificá-las e começar o tratamento".
O porta-voz acrescentou que "os voluntários que visitam as regiões, muitas vezes encontram pessoas com sintomas de Stress Pós-traumático, como falta de sono, fome e um comportamento estranho".
- Já pedimos às autoridades governamentais que treinem os voluntários encarregados dos centros de assistência para tratar este tipo de casos - explicou.
O programa do CON será realizado por uma equipe de psiquiatras e psicólogos cingaleses no qual participam o Colégio de Psicólogos e a Associação Médica do Sri Lanka.
- Um grande número de médicos com as especialidades relevantes e membros de Organizações Não-Governamentais (ONG) também farão parte deste projeto - acrescentou o porta-voz.
A diretora do CON, Tara de Mel, disse que haverá uma atenção especial ao Departamento para Crianças, segundo a imprensa local.
Atualmente, as autoridades preparam uma base de dados das milhares de crianças que perderam um ou os dois pais na tragédia.
- Os programas de médio e longo prazo previstos para os órfãos incluem a adoção, o apadrinhamento e o registro de crianças nos orfanatos. Estamos colaborando com o Ministério da Justiça para facilitar os trâmites legais necessários - acrescentou Tara de Mel.
No distrito de Hambantota, no sul da ilha, após a identificação de várias crianças, algumas já iniciaram tratamento psicológico.
- No entanto, ainda pode haver milhares de pessoas que ainda não foram detectadas. Portanto é imprescindível ter um programa nacional para identificá-los - disse à EFE o porta-voz do departamento de Bem-estar das Crianças.
No norte do país, a psiquiatra Daya Somasundaram iniciou um programa para treinar os voluntários para que possam consolar as vítimas.
- Estamos dispostos a ajudar nossas equipes de psicólogos, trabalhadores sociais e gente de outros campos para auxiliar as vítimas em hospitais, acampamentos de refugiados e escolas - disse Somasundaram em comunicado.
A série de maremotos do dia 26 de dezembro matou 30.229 pessoas no Sri Lanka, onde cerca de quatro mil pessoas continuam desaparecidas desde essa data, e suas possibilidades de sobrevivência são cada vez mais remotas com o passar dos dias.
Os tsunamis também deixaram mais de 15 mil feridos e 835 mil pessoas desabrigadas. Elas se refugiam em acampamentos instalados pelo governo e ONGs locais e estrangeiras que foram ao país para colaborar nas tarefas de resgate, no auxílio à população e na reconstrução das infra-estruturas e das mais de 100 mil casas destruídas.
Autoridades se concentram na assistência psicológica no Sri Lanka
Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 12:39, por: CdB