Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2026

Autoridades sauditas são acusadas por mortes em Meca

Sexta, 13 de Janeiro de 2006 às 07:56, por: CdB

Peregrinos na Arábia Saudita que se perderam de parentes e amigos na confusão que resultou em mais de 345 mortes no ritual de apedrejamento dos pilares do Festival de Hajj estão percorrendo hospitais e necrotérios em busca de notícias. Muitos peregrinos da região continuam desaparecidos, segundo seus parentes, mas as autoridades acreditam que eles podem apenas ter se perdido na confusão. O governo paquistanês confirmou que pelo menos 30 dos mortos eram peregrinos vindos do país. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores acredita que o máximo de mortos de nacionalidade paquistanesa chegue a 35. Cerca de 150 mil muçulmanos do Paquistão foram à peregrinação de Meca este ano. Entre os mortos estariam ainda indianos, chineses, egípcios, indonésios e um britânico.

Um dos líderes muçulmanos da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, responsabilizou a falta de coordenação das autoridades sauditas pelo maior incidente no Festival anual desde 1990. Apesar de ser o país que mais envia peregrinos para Meca todos os anos, este ano foram mais de 200 mil, houve menos mortes de indonésios porque eles foram aconselhados a fazer o ritual do apedrejamento no final da tarde, depois do horário de mais movimento, explicou o vice-presidente do Conselho Indonésio de Acadêmicos Muçulmanos.

O apedrejamento de três pilares, considerados como símbolo do mal, é o último ritual do Hajj, que acabou na quinta-feira. Este ano, cerca de 2,5 milhões de muçulmanos tomaram parte na peregrinação, obrigatória pelo menos uma vez na vida para todos os muçulmanos que tenham condições financeiras de ir à Meca. Oficiais sauditas negaram na manhã desta sexta-feira que a polícia pudesse ter feito mais para impedir a morte de 345 peregrinos. Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, General Mansour al-Turki, se houvesse mais segurança, o perigo para a multidão seria maior.

- As pessoas querem terminar o Hajj do jeito delas e o efeito de usar mais policiais para controlar as massas é limitado - justificou.

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