Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Autoridades do Haiti acusam Aristide de desviar verbas públicas

Quinta, 30 de Junho de 2005 às 18:42, por: CdB

Autoridades do Haiti confiscaram 5 milhões de dólares que, segundo disseram, o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide e outros membros do governo dele haviam tentado desviar, afirmou uma autoridade na quinta-feira.

Segundo Jean-Yves Noel, diretor-geral da Unidade Central de Inquéritos Financeiros do Haiti, as autoridades interinas do país caribenho congelaram 1 milhão de dólares da conta de uma universidade fundada por Aristide.

Também foram encontrados e confiscados outros 4 milhões de dólares em dinheiro público que, nas palavras de Noel, Aristide e seus aliados pretendiam transferir para empresas-fantasma. O diretor-geral não disse onde os 4 milhões teriam sido encontrados.

"Nossas investigações mostram que houve casos de apropriação indébita de dinheiro público por meio de instituições controladas totalmente por Aristide, instituições como a Fundação Aristide para a Democracia e a Universidade Profissional e Tecnológica". disse Noel à Reuters.

"É claro que esses fundos não poderiam ter sido transferidos para essas instituições sem o envolvimento pessoal de Aristide", afirmou.

Desde que Aristide fugiu do Haiti em fevereiro de 2004, em meio a uma revolta armada e pressões dos EUA e da França para renunciar, o governo interino do Haiti tenta achar provas sobre casos de corrupção envolvendo o ex-padre.

Autoridades norte-americanas afirmam acreditar que vários dos aliados de Aristide estavam envolvidos com o tráfico de drogas.

Mas os simpatizantes do ex-presidente dizem que as acusações de desvio de dinheiro público são absurdas. Eles rebatem acusando o governo do primeiro-ministro interino Gerard Latortue de perseguir Aristide e os aliados dele.

Sempre prometendo defender os pobres do Haiti, o ex-presidente não levava uma vida luxuosa. Segundo analistas, o dinheiro que caiu nas mãos dele teria sido usado para conquistar apoio entre a população e não para que o dirigente tivesse conforto material.

O ex-presidente vive atualmente na África do Sul, exilado. O Haiti deve realizar eleições ainda neste ano para escolher o sucessor dele.

O porta-voz do partido de Aristide, o Família Lavalas, James Desrozin, disse que as investigações do governo interino não têm credibilidade pois "seus resultados já são conhecidos de antemão".

"É só mais uma tática política do governo e de seus aliados para tentar demonizar o presidente Aristide, que eles consideram um inimigo político", disse Desrozin.

Tags:
Edições digital e impressa