Porta-voz do governo líbio disse que conversas têm de ocorrer sem precondições
Autoridades dos Estados Unidos tiveram uma reunião presencial com representantes do líder líbio, Muamar Khadafi, confirmou o Departamento de Estado americano nesta segunda-feira.
Washington informou que as autoridades americanas reforçaram, durante o encontro no último final de semana, o desejo pela saída de Khadafi do poder, mas não participaram de nenhuma negociação.
Um porta-voz disse que o governo líbio apoia o diálogo com os EUA, mas só se as conversas não tiverem precondições.
Também nesta segunda-feira, rebeldes líbios disseram ter expulsado as tropas governamentais da maior parte da cidade de Brega.
O governo da Líbia negou, insistindo que ainda tem o controle da cidade, considerada chave por conta de suas refinarias de petróleo.
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Mensagem ‘clara e firme’
Em comunicado, o Departamento de Estado dos EUA disse que autoridades transmitiram aos enviados líbios uma mensagem ?clara e firme? de que defendem a renúncia de Khadafi.
?A mensagem era simples e não-ambígua: Khadafi tem de deixar o poder para que um novo processo político possa começar, refletindo as vontades e as aspirações do povo líbio?, informou o comunicado.
O governo americano não divulgou o local onde ocorreram as conversas, mas a Líbia informou que o encontro aconteceu no sábado, na Tunísia.
Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio, elogiou o diálogo como um passo importante para ?restaurar as relações? com os EUA.
?Apoiamos qualquer diálogo e iniciativa de paz, desde que eles não decidam o futuro da Líbia de fora para dentro?, disse ele a jornalistas em Trípoli. ?Discutiremos tudo, mas não condicionem seus diálogos de paz. Deixem que os líbios decidam seu futuro.?
Washington disse que Jeffrey Feltman, secretário-assistente de Estado para temas de Oriente Próximo, e o embaixador americano na Líbia, Gene Cretz, estiveram envolvidos nas conversas. Mas não está claro quem representou a Líbia no processo.
Autoridades americanas afirmaram que não há novos encontros previstos, ?porque a mensagem já foi transmitida?.
Rebeldes alegam estar no controle de Brega, uma cidade-chave
Ofensiva
Forças americanas estão envolvidas na ofensiva aérea na Líbia desde que a ONU aprovou, em março, uma resolução autorizando intervenção militar para proteger civis dos ataques promovidos pelas tropas de Khadafi.
O comando das operações está com a Otan (aliança militar ocidental), que têm alvejado as tropas do regime perto de Brega nos últimos dias.
A cidade, que fica a 750 km de Trípoli, tem mudado de mãos desde o início do conflito líbio, em fevereiro.
Correspondentes dizem que a eventual derrubada governamental em Brega seria uma importante conquista para a oposição a Khadafi, num momento em que o conflito líbio parece ter chegado a um impasse.
Ainda nesta segunda, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que lidera os esforços de mediação do conflito por parte da União Africana, disse que a Líbia precisa de um governo democrático.
Mas ele acrescentou que os líbios têm de decidir seu próprio destino.
Ao mesmo tempo, a Rússia se recusou a reconhecer os rebeldes líbios como representantes legítimos, dizendo que tal medida aumentaria a escalada do conflito em direção a uma guerra civil.
Recentemente, os EUA seguiram diversos países, como França e Itália, e reconheceram a liderança rebelde como representante legítimo do poder na Líbia.