A notícia de que o príncipe Felipe de Asturias iria se reunir com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, depois de o pai dele, o rei Juan Carlos, ter mandado o dirigente da Venezuela calar a boca, não procede, segundo afirmou nesta sexta-feira a vice-primeira-ministra da Espanha, María Teresa Fernández de la Vega. O Ministério das Relações Exteriores do país europeu aventou na quarta-feira a possibilidade de haver um encontro informal entre Chávez e o herdeiro da coroa espanhola quando ambos comparecerem à cerimônia de posse da nova presidente argentina, neste fim de semana.
Hugo Chávez, que havia exigido um pedido formal de desculpas do rei de Espanha, por suas declarações, afirmou a jornalistas que o príncipe lhe entregaria uma mensagem pessoal do rei quando os dois se reunissem em Buenos Aires. A vice-primeira-ministra, no entanto, desmentiu a notícia nesta manhã. Nenhum pedido formal fora feito para a realização de um encontro do tipo e que nenhuma reunião especial estava prevista.
– Pode haver uma saudação protocolar, nada mais. Prevê-se apenas que, se o presidente da Venezuela comparecer, pode acontecer uma saudação protocolar da parte do príncipe de Asturias – afirmou De la Vega em uma entrevista coletiva realizada diante do Conselho de Ministros.
O rei Juan Carlos mandou Chávez se calar depois de o presidente venezuelano ter chamado o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar de "fascista" várias vezes, durante uma cúpula realizada no Chile, no mês passado. Chávez, que já insultou dirigentes de outros países em público, respondeu afirmando que reavaliaria a situação das empresas espanholas presentes na Venezuela.
Em um sinal de que diminuíam as tensões, o presidente venezuelano afirmou na quarta-feira que "saudava" a mensagem enviada a ele pelo rei espanhol por conta da tranquilidade verificada no plebiscito constitucional de domingo, do qual Chávez saiu derrotado.