A cidade de Parati, no Rio de Janeiro, será transformada no epicentro da literatura a partir desta quarta-feira, quando 36 autores representando 10 países, incluindo o Brasil, vão se reunir para falar de suas obras com o público.
A segunda edição da Festa Literária Internacional de Parati (Flip) acontecerá até domingo, com palestras e mesas-redondas de escritores estrangeiros badalados como Paul Auster, Ian McEwan e Margaret Atwood.
Eles serão acompanhados de nomes importantes das letras brasileiras, como Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Luis Fernando Veríssimo.
A participação dos compositores-cantores-escritores Chico Buarque e Caetano Veloso promete atrair ainda mais curiosos para a festa, que contou com 8.000 visitantes no ano passado.
- Este ano o evento ficou maior e mais variado - disse à Reuters o diretor de programação da Flip, Flávio Pinheiro, acrescentando que o número de escritores convidados aumentou de 25 para 36.
A homenagem feita a cada ano a um autor brasileiro também aumentará, indo além do show-homenagem na noite de quarta-feira, organizado nesta edição pelo músico e professor da USP José Miguel Wisnik.
- No ano passado foi Vinicius de Moraes, mas desta vez queremos que a homenagem a Guimarães Rosa permeie toda a festa - afirmou.
Guimarães Rosa ganhará também exibição de filme em praça pública, peça de teatro e duas mesas-redondas. Do show-homenagem, participam Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Arto Lindsay, Mônica Salmaso e o grupo de world music Uatki.
- Queremos destacar o aspecto brasileiro da obra de Guimarães Rosa, focada no sertão, mas também ressaltar os aspectos modernos e inovadores de sua narrativa - disse Pinheiro.
O festival conta com dois espaços. A Tenda dos Autores, onde os escritores lêem trechos de suas obras e realizam debates, tem capacidade para 500 pessoas. Uma outra tenda, com capacidade para 1.100 pessoas, foi instalada na praça matriz da cidade.
A meta da Flip, porém, é preservar o tom intimista, nos moldes em que foi idealizada pela editora inglesa Liz Calder, que é fã de Parati e imaginou um evento acolhedor para promover o encontro de escritores com seu público em meio às ruelas coloniais.
Calder -- que carrega o mérito de ter descoberto escritores como Salman Rushdie e J.K. Rowling, autora da saga de Harry Potter -- inspirou-se em outros festivais do gênero, como o de Hay-on-Wye, no País de Gales.
Em função das origens de sua criadora, a festa ainda tem forte presença de autores norte-americanos e britânicos, mas isso não chega a incomodar os escritores nacionais.
Quem se incomodou e declinou o convite foi João Ubaldo Ribeiro, mas não por esse motivo. Ele fez críticas à presença maciça de autores da Companhia das Letras em detrimento de outras editoras no evento.
Os organizadores alegam, por seu lado, que esse é um tema "superado".
- Temos 36 autores representando 16 editoras. Se há descontentes, são raríssimos - disse Pinheiro. - Essa discussão não é cabível porque esta é uma festa mais descentralizada que a anterior, com presença de editoras pequenas e médias.
Nessa linha, o debate de temas brasileiros ficará para escritores pouco conhecidos do grande público, como Ferréz, que retratou em seu livro "Capão Pecado" a vida em um bairro da periferia paulistana.
O humor também terá presença garantida com o cartunista Angeli, que conversa sobre o tema com Ziraldo e Luis Fernando Veríssimo.
Entre os estrangeiros, constam o jornalista português Miguel Sousa Tavares, o angolano José Eduardo Agualusa e o argentino Pablo de Santis, além da jornalista espanhola Rosa Montero.
Para atender a demanda crescente do público, foi elaborada até uma programação paralela, batizada de Off Flip.
Estão incluídas aqui uma oficina literária com o escritor Milton Hatoum e a exibição de filmes como "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e até "Diários de Motocicleta", de Walter Salles, além de vários sho