Com as únicas candidaturas da ministra de Assuntos Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, do Partido Popular (ÖVP), e do vice-presidente do Parlamento, o Heinz Fischer, do Partido Social-Democrata (SPÖ), os austríacos vão às urnas neste domingo em eleições presidenciais, às quais o segundo chega com uma pequena vantagem nas pesquisas.
A ausência de outros candidatos simplifica as eleições, nas quais não será necessária a realização de um segundo turno para definir o oitavo presidente federal da II República da Áustria, cargo ocupado pela primeira vez pelo social-democrata Karl Renner em 1945, após a Segunda Guerra Mundial.
Os dois partidos menores, o Verde (GA) e o Liberdade da Áustria (FPÖ), decidiram não apresentar candidatos próprios. Assim, a disputa será definida entre os candidatos dos dois grandes partidos do país, ÖVP, atualmente no governo, e o SPÖ, de oposição.
AS últimas pesquisas mostram que a disputa pelo cargo de chefe de Estado será acirrada. O social-democrata Fischer ainda tem leve vantagem, depois de Benita Ferrero-Waldner conseguir, nas últimas semanas, diminuir a diferença que a separava de seu adversário.
Se conseguir vencer, a ministra de Exteriores será a primeira mulher a assumir a presidência da Áustria e a líder de Estado mais jovem da história.
A chefa da diplomacia austríaca utilizou habilmente sua condição de mulher durante a campanha para tentar ganhar o voto feminino e insistiu em ressaltar sua experiência internacional como embaixadora, chefa de protocolo das Nações Unidas e ministra.
Ela assumiu o apelido de "leoa", dado pela imprensa local por sua defesa da Áustria e do governo quando, no ano 2000, o país enfrentou sanções da União Européia devido à entrada na coalizão do Executivo do polêmico Partido da Liberdade, do ultranacionalista Joerg Haider.
Fischer, por sua parte, conta com uma sólida reputação entre o eleitorado devido a sua gestão moderada ao longo de doze anos (1990-2002) como presidente do Parlamento. Trata-se do segundo cargo mais importante do Estado, pois seu ocupante substitui o chefe do governo em caso de afastamento deste.
A campanha eleitoral mostrou, no entanto, que praticamente não existem diferenças de programa entre os dois candidatos e que a escolha acabará sendo uma questão de simpatia pessoal ou de proximidade a um dos dois grandes partidos.
Fischer conta com o respaldo do Partido Verde, cujos dirigentes pediram expressamente o voto para o candidato social-democrata.
Benita Ferrero Waldner, por sua vez, é apoiada pelo Partido da Liberdade, embora não se saiba se o aberto respaldo a ela declarado ontem à noite publicamente por Joerg Haider acabará sendo positivo ou prejudicial.
O novo presidente austríaco, cargo fundamentalmente representativo e com funções muito limitadas, sucederá em julho Thomas Klestil, que está no final de dois mandatos de seis anos.
Austríacos escolhem novo presidente no domingo
Sábado, 24 de Abril de 2004 às 06:15, por: CdB