Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Austríaco que teve 7 filhos com a filha admite homicídio de bebê

O austríaco Josef Fritzl, que teve sete filhos com uma filha que ele prendeu em um porão durante 24 anos, declarou-se na quarta-feira culpado dos crimes de homicídio e cárcere privado. Até então, ele se declarava inocente.(Leia Mais)

Quarta, 18 de Março de 2009 às 06:41, por: CdB

O austríaco Josef Fritzl, que teve sete filhos com uma filha que ele prendeu em um porão durante 24 anos, declarou-se na quarta-feira culpado dos crimes de homicídio e cárcere privado. Até então, ele se declarava inocente.

Fritzl, 73 anos, poderá ser condenado à prisão perpétua. Ele disse ao tribunal que decidiu se declarar culpado depois de ver as 11 horas de depoimento da sua filha Elisabeth, gravado em vídeo e exibido numa sessão a portas fechadas na terça-feira.

– Eu me declaro culpado das acusações no indiciamento – disse ele.

A acusação de homicídio diz respeito à morte por negligência de um filho recém-nascido, dentro do porão à prova de som, construído com o propósito de encarcerar a filha, sob a casa da família em Amstetten, no interior da Áustria.

Fritzl, que antes se declarava "parcialmente" culpado do crime de estupro, agora o assume plenamente. Na segunda-feira, no início do julgamento em St. Poelten, a oeste de Viena, ele havia admitido o incesto, mas negara o homicídio e o cárcere privado, as duas acusações mais graves.

O advogado de Fritzl, Rudolf Mayer, disse a jornalistas que estava "completamente surpreso" com a mudança, mas admitiu que seu cliente ficou comovido com o detalhado relato de Elisabeth. O julgamento deve terminar na quinta-feira.

Respondendo a perguntas da juíza Andrea Humer, Fritzl disse que deveria ter levado a sério, em 1996, o fato de que o bebê, nascido de uma gestação gemelar, respirava mal e precisava ser levado imediatamente para um hospital. O bebê acabou morrendo.

– Eu esperava que o pequeno sobrevivesse, mas deveria ter feito algo. Não sei por que não ajudei. Simplesmente perdi (a questão) de vista – afirmou.

Os promotores disseram que Fritzl estuprava repetidamente sua filha diante dos filhos-netos, usando a moça como sua propriedade. As três crianças no cativeiro, segundo eles, nunca haviam visto a luz do sol até serem libertadas.

Ao contrário do que fizera nos dois dias anteriores, Fritzl entrou na quarta-feira no tribunal sem cobrir o rosto com uma pasta azul. Novamente, usava um terno cinza desconjuntado e surrado. Manteve a cabeça baixa ou o olhar fixo adiante, como se ignorando o procedimento judicial. Durante o julgamento, ele tem consultado um psiquiatra regularmente.

O jornal austríaco Kurier disse que Elisabeth assistiu à audiência anonimamente na terça-feira, quando a imprensa foi barrada. Mayer não comentou a informação, mas disse que havia nas galerias pessoas que ele não identificou.

O advogado declarou ao tribunal que seu cliente tratava a filha e as crianças encarceradas "como uma segunda família", à qual fornecia livros didáticos, brinquedos e até uma árvore de Natal. Mas o advogado admitiu que Fritzl cometeu crimes "monstruosos".

O caso veio à tona em abril de 2008, quando a filha mais velha resultante dos estupros, Kerstin, de 19 anos, ficou gravemente doente e teve de ser hospitalizada.

Elisabeth e seus seis filhos, três dos quais passaram a vida encarcerados, vivem atualmente em um local não revelado, sob novas identidades. As outras três crianças sobreviventes haviam sido criadas por Fritzl e sua esposa, que acreditou que a filha havia fugido de casa para aderir a uma seita.

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