Áustria: polícia confirma ter encontrado mais corpos de imigrantes em caminhão
As autoridades austríacas informaram nesta sexta-feira ter encontrado os corpos de 71 imigrantes no interior de um caminhão abandonado numa rodovia do país. O veículo foi localizado a cerca de 50 quilômetros a sudeste de Viena.
Por Redação, com DW - de Viena:
As autoridades austríacas informaram nesta sexta-feira ter encontrado os corpos de 71 imigrantes no interior de um caminhão abandonado numa rodovia do país. O veículo foi localizado a cerca de 50 quilômetros a sudeste de Viena.
Corpos de imigrantes, incluindo quatro crianças, foram encontrados em veículo abandonado a 50 quilômetros de Viena, na Áustria
O número de vítimas, confirmado pelo porta-voz do Ministério do Interior austríaco, Alexander Marakovits, supera a estimativa inicial, que era de 50 cadáveres. As 71 vítimas incluem oito mulheres e quatro crianças, a mais nova delas com idade entre um e dois anos.
Os corpos foram encontrados dentro de um caminhão abandonado na rodovia A4, entre o lago Neusiedl e a localidade de Pandorf, no Estado de Burgenland, na fronteira da Áustria com a Hungria. Investigadores acreditam que as pessoas morreram entre 36 e 48 horas antes de o caminhão ser descoberto. As vítimas teriam morrido asfixiadas, e seus corpos já apresentavam sinais de decomposição.
Três pessoas suspeitas de ligação com as mortes dos 71 imigrantes no caminhão foram presas na noite de quinta para sexta-feira na Hungria, disseram autoridades. Dois dos detidos são cidadãos da Bulgária, e o terceiro tem documento de identidade húngaro, segundo a polícia.
Um deles é o dono do caminhão, e os dois outros aparentemente se revezavam no volante. A polícia acredita que os homens faziam parte de uma rede de tráfico de pessoas atuando na Bulgária e na Hungria.
O caminhão frigorífico, de 7,5 toneladas, tem matrícula húngara e símbolos de uma empresa avícola eslovaca. Autoridades afirmam que o veículo foi visto nas imediações de Budapeste na quarta-feira.
Crise migratória
A Hungria, que tem fronteira com a Sérvia, é o primeiro país do espaço Schengen, área de livre circulação comunitária, a partir do qual os refugiados tentam chegar a outros países, principalmente Alemanha e Suécia.
Dezenas de milhares de refugiados das guerras no Oriente Médio, sobretudo sírios e iraquianos, além de afegãos, cruzaram os Balcãs nas últimas semanas tentando chegar à Europa Ocidental.
Durante cúpula em Viena, Sérvia e Macedônia pediram na quinta-feira para que a União Europeia ofereça ajuda concreta em relação ao crescente fluxo de imigrantes que chega a seus territórios e que sobrecarrega a infraestrutura e as autoridades locais.
Perante a tragédia, o chanceler federal austríaco, Werner Faymann, afirmou que é necessário combater a criminalidade e os traficantes de pessoas, "para salvar" os refugiados.
Durante a cúpula, Merkel, que se disse chocada com o incidente, pediu ainda a aprovação rápida de um sistema de cotas justo para a distribuição de refugiados nos países europeus, além da ampliação da lista de países considerados seguros, com a inclusão de todos os integrantes dos Bálcãs.
Bálcãs pedem ajuda à UE
A Sérvia e a Macedônia fizeram um apelo nesta quinta-feira (27/08), em Viena, para que a União Europeia (UE) ofereça ajuda concreta com relação ao crescente fluxo de migrantes que chega a seus territórios e, segundo ambos, sobrecarrega a infraestrutura e as autoridades locais.
"Nós enfrentamos a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. É uma migração verdadeira, e a Sérvia é um país de trânsito. Esse é um problema da União Europeia, e esperam de nós [como países de trânsito] que tenhamos um plano de ação", afirmou o ministro sérvio do Exterior, Ivica Dacic, durante a cúpula dos Bálcãs, que reuniu em Viena líderes da região e da Europa Ocidental para tratar da crise migratória.
De acordo com autoridades sérvias, desde o início do ano, cerca de 94 mil refugiados, a maioria da Síria e do Afeganistão, entraram com o pedido de asilo na Sérvia, após terem passado por países da UE, como Grécia, Bulgária e Romênia.
"Eu preciso ser direto. Por favor, entendam, estamos carregando o grosso do problema", afirmou Dacic.
Combater traficantes
Após a morte de imigrantes em um caminhão frigorífico na Áustria, autoridades de Berlim e Viena pedem uma ação europeia em conjunto para combater tráfico de pessoas.
A proposta de cotas para refugiados também foi defendida pelo ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, no início do encontro. Ele anunciou ainda que a Alemanha vai contribuir com 1 milhão de euros para ajudar os países dos Balcãs Ocidentais, perante o intenso fluxo migratório. A quantia servirá para comprar alimentos e outros suprimentos para os refugiados.
A Macedônia, porém, disse que o valor é inadequado. O país recebe pelo menos 3 mil refugiados diariamente, que chegam pela fronteira com a Grécia. "Nós não estamos conseguindo fazer o trabalho com os 90 mil euros que recebemos até agora e, provavelmente, não atingiremos o objetivo com o 1 milhão anunciado", afirmou o ministro do Exterior da Macedônia, Nikola Poposki.
Steinmeier aproveitou a cúpula para reiterar o pedido para os governos dos Bálcãs ajudar a esclarecer junto aos seus cidadãos que eles não têm praticamente nenhuma chance de conseguir asilo na Alemanha.
Após a cúpula em Viena, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, afirmou que o bloco trabalha em novas propostas para uma política de refugiados comum. Entre as medidas está uma lista unificada de países considerados seguros.
- Não existe uma solução mágica - afirmou Mogherini, que ressaltou que a proteção do número cada vez maior de refugiados é um "dever moral e legal" da Europa.
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