Quando a fumaça vai baixando e as espessas nuvens vão se desfazendo em nevoeiros transparentes, é possível vislumbrar o intenso vai e vem dos interesses que se movimentam por detrás do debate da Raposa Serra do Sol e da questão indígena em geral.
O agronegócio e seu mago soja Maggi aproveitam a maré para afirmar que os índios tem terra demais e que as árvores de pé estorvam sim com suas sombras indesejáveis e seus troncos comercializáveis. Trator e soja nelas. As usinas do sul agradecem, prometendo o tsunami da cana, como doce fel de recompensa. Os bois prometem migrar para a Amazônia, pois não conseguem mais conviver com o vai e vem das máquinas gigantes. Irão em procura da paz amazônica.
Setores militares, que há tempos não conseguiam aproveitar uma boa onda, alçaram seu grito nacionalista aos céus do Brasil, jogando água nas turbinas das multinacionais. O valente general Heleno brada aos céus pois as fronteiras do país estão sumindo. As transnacionais, com sua benção, estão engolindo rapidamente extensos territórios dentro do país, e de gratificação saciam sua sede nas fontes e rios, desde o aqüífero Guarani até as veias abertas dos igarapés da Amazônia.
Mas quem mesmo está nadando de braçada são as mineradoras. Tem pressa em chegar à outra margem, que não é a Austrália, mas as terras indígenas. O mundo precisa de seu minério. Suas contas bancárias, commodities, valores nas bolsas mundiais, necessitam com urgência se alimentar com as ricas jazidas que dormem no subsolo, seu sono milenar. Embaixo da terra são nada, mas mãos limpas das grandes mineradoras se transformam em valores extasiantes.
É preciso sacudir o Congresso para que aprove logo a exploração mineral em terras indígenas, dizem seus arautos. Afinal de contas assim agiram por ocasião da Constituinte, em 1988. Fizeram estardalhaço, acusaram deus e o mundo, realizaram a maior campanha já feita nesse país contra os povos indígenas e seus aliados, principalmente o Cimi. E agora voltam à cena. Ou melhor, agem nos bastidores. Mudaram de estratégia. É melhor jogar primeiro poeira nos olhos da opinião pública e só então agir com mais desenvoltura e menos riscos.
Caso restarem dúvidas quanto essas manobras articuladas basta olhar as sábias recomendações que esses interesses desfilaram na imprensa nesse dia 5 de junho, registradas na Agência Câmara: Deputado de Roraima pede que governo, ao invés de manter tropas no Haiti, as mantenha aqui, no controle das terras indígenas. Por outro lado “Comissão avalia exploração de terra indígena na Austrália”. Não são notícias de outro planeta não. Vejamos a sutileza embutida na notícia:
“Deputados da Comissão Especial de Exploração de Recursos de Terras Indígenas (PL 1610/96) estão na Austrália para conhecer a experiência do país na regulamentação do uso de recursos minerais em terras de aborígenes. O presidente do colegiado, deputado Edio Lopes (PMDB-RR), disse que já foi possível verificar que a autorização para esse tipo de exploração depende de menos exigências do que as previstas no projeto. "Esse processo, ao contrário do que se pensa no Brasil, é mais simplificado. Há uma consulta da empresa interessada com um conselho das comunidades envolvidas, que tem poder decisivo", explicou.
De acordo com Edio Lopes, não é necessária, na Austrália, a autorização do Congresso para a exploração mineral das terras. Os deputados da comitiva ainda vão conversar com dirigentes de uma empresa australiana que pratica mineração e com representantes dos aborígenes”. (Agencia Câmara, 5/06/08)
O preço e a pressão dos minérios
Os navios vão passar, carregados, já não de pau brasil , como há quinhentos anos, mas dos minérios das terras indígenas. O mesmo roubo com outros nomes e endereços. Vejamos algumas pérolas e posicionamentos “O secretário de Acompanhamento e Estudos Institucionais (órgão vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional da Pr