Das seis pessoas que deveriam depor nesta quarta-feira, na reunião da Sub-relatoria de Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, apenas uma compareceu. Jorge Luiz Batista de Oliveira, do fundo de pensão Serpros, prestou depoimento e se disse "injustiçado". Os outros depoentes que não compareceram nem justificaram a ausência são proprietários das corretoras de valores Quality e Quantia.
A ausência dos suspeitos de abastecer o valerioduto irritou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator de Fundos de Pensão. Ele disse ter conversado com o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e pedido a ampliação do contingente de policiais federais que fazem as diligências de convocação e coerção de depoentes que se negam a depor à CPI.
- A CPI está em contagem regressiva, não podemos admitir que depoentes e testemunhas se esquivem de depor ou comparecer - afirmou Antonio Carlos Magalhães Neto.
Em seu depoimento, o ex-diretor de investimento do fundo de pensão Serpros Jorge Luiz Batista de Oliveira disse que se sente injustiçado por ter sido afastado antes do fim de seu mandato para ser substituído por um indicado político. Oliveira disse que sua gestão tem um histórico inquestionável e que o patrimônio do fundo passou de R$ 900 milhões para R$ 1,5 bilhões nesse período. O Serpros é o fundo de pensão dos funcionários do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
Ao ser questionado pelo sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sobre perdas de R$ 1 milhão em um único dia, ao adquirir títulos públicos com as corretoras Quantia, Bônus-Banval e Planer, Oliveira afirmou que a política de administração dos fundos é de longo prazo e que investiu imaginando que perdas pontuais pudessem ser compensadas com ganhos mais à frente.