O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, considerou nesta segunda um desrespeito a ausência do relator da reforma da Previdência, deputado José Pimentel (PT-CE), na audiência pública que debate a proposta na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Para Marinho, a presença-chave nesta fase é a do relator, que tem que incorporar as várias contribuições, a não ser que ele parta do princípio de que já tem todas as contribuições e está pronto para entregar o relatório. O governo federal prevê a entrega do relatório na próxima quarta-feira à Comissão Especial da Câmara dos Deputados.
Marinho foi muito vaiado pelos servidores que lotam a galeria do plenário da Assembléia Legislativa, mas considerou naturais as manifestações, porque, segundo ele, alguns servidores têm medo de perder privilégios e outros temem não haver garantia de regra de transição.
Segundo Marinho, nesta audiência, é aplaudido quem defende a retirada da proposta do Congresso e é vaiado quem defende a negociação. Ele considera a retirada da proposta uma derrota, porque o governo tem demonstrado que não tomará essa atitude. Cabe, então, recorrer à negociação para que haja mudança na proposta, disse Marinho, que defende a integralidade para os servidores atuais, regra de transição e teto para os futuros servidores.
A senadora Heloísa Helena (PT-AL) também criticou a ausência do relator, afirmando que prefere a coragem de Luiz Marinho à ausência de Pimentel. Heloísa Helena disse que o governo tem autonomia para fazer as negociações, mas não pode transformar o Congresso em um balcão de negócios para aprovar as reformas sem debate.
A audiência pública desta segunda-feira é a terceira de uma série de cinco previstas nos estados. Na última semana, foram realizadas audiências em Porto Alegre e em Campo Grande. Ainda nesta segunda haverá audiência no Rio de Janeiro e na próxima segunda-feira (21), a última, em Salvador.