Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Aumento na inadimplência tem causas pontuais, assegura o Banco Central

O nível da inadimplência no crédito livre, que atingiu a marca recorde de 5,9%, nesta terça-feira, foi explicado como um resultado de movimentos pontuais, principalmente em alguns empréstimos para empresas. (Leia Mais)

Quarta, 26 de Agosto de 2009 às 09:36, por: CdB

O nível da inadimplência no crédito livre, que atingiu a marca recorde de 5,9%, nesta terça-feira, foi explicado como um resultado de movimentos pontuais, principalmente em alguns empréstimos para empresas. Segundo afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, os números têm mostrado um substancial aumento nos atrasos em descontos de duplicatas e na conta garantida, duas das mais comuns operações de crédito entre as pessoas jurídicas, principalmente entre as de menor porte.

Dados do BC revelaram que a inadimplência no desconto de duplicatas cresceu de 7,7% em junho para 8,5% em julho, formando a maior taxa de atraso entre todas as operações para as empresas e mais que o dobro da média do segmento pessoa jurídica, cuja inadimplência terminou o mês passado em 3,8%. Outra linha que chama a atenção é a conta garantida, uma espécie de cheque especial das empresas. Nessa operação, o atraso superior a 90 dias cresceu de 4,5% para 4,7%.

Embora os dados sejam negativos, Altamir repetiu aos jornalistas a avaliação feita no mês passado de que a inadimplência nas empresas tende a cair nos próximos meses. Segundo afirmou, essa avaliação está ancorada na perspectiva de queda dos atrasos inferiores a 90 dias. De acordo com o estudo do BC, 2,3% dos empréstimos para empresas fecharam julho com atraso de até três meses, mesmo patamar de junho e abaixo de maio, quando a parcela era de 2,7%.

Altamir Lopes, ainda na conversa com jornalistas, na manhã desta quarta-feira, anunciou que previsão para o nível da participação do crédito total no Produto Interno Bruto (PIB) foi elevada para o fim do ano. Segundo a projeção oficial do Banco, a estimativa para o indicador subiu de 45% para 47% ao final de dezembro de 2009. Altamir também explica que o recente desempenho da concessão de crédito, que superou a estimativa anterior do BC, fez com que a estimativa fosse revista para cima.

O diretor do BC informou ainda que o estoque de operações de crédito livre cresceu 0,2% em agosto, conforme levantamento até o dia 14, na comparação com julho. Segundo ele, essa expansão foi liderada pelos financiamentos para pessoas físicas, cujo estoque aumentou 1,4% na mesma base de comparação. Nas operações para empresas, o saldo dos empréstimos teve contração de 0,8%.

Quanto aos juros, as taxas continuam em queda, o que tende a promover o mês de agosto como o nono seguido com redução. Na média, a taxa caiu de 36% em julho para 35,7% ao ano. Essa retração foi liderada pelas operações para pessoas físicas, cujo juro caiu de 44,9% para 44,6%. Nas operações para pessoas jurídicas, a retração foi de 26,7% para 26,6%.

Apesar da queda nos juros ao consumidor, a taxa do cheque especial voltou a subir, chegando a 167,3% contra 167% ao ano, depois da queda registrada no mês anterior. O crédito pessoal caiu de 45,6% para 44,8% ao ano. Na aquisição de veículos, ficou estável em 26,9% ao ano. Ainda segundo o BC, as taxas de juros cobradas dos empréstimos do sistema financeiro nacional continuaram em queda em julho. A taxa geral de juros, de junho para o mês passado, caiu 0,6 ponto percentual, para 36% ao ano. Esse é o menor nível desde dezembro de 2007.

No caso dos empréstimos para as famílias (pessoas físicas), a taxa nesse mesmo período passou de 45,6% para 44,9% ao ano. Segundo o BC, as taxas de juros para as empresas (pessoas jurídicas) registraram queda em todas as modalidades e ficaram no patamar médio de 26,7% ao ano, com recuo de 0,7 ponto percentual no mês.

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