Aumento do acesso à eletricidade segue ritmo lento
Cerca de 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade. No Brasil, luz chega para 98% da população. Meta das ONU é garantir acesso universal até 2030. Banco Mundial aponta que mudanças acontecem devagar demais.
Cerca de 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade
Cerca de 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade. No Brasil, luz chega para 98% da população. Meta das ONU é garantir acesso universal até 2030. Banco Mundial aponta que mudanças acontecem devagar demais.
Até 2030, todos os habitantes do planeta devem ter acesso à eletricidade e a participação das fontes renováveis no total de energia produzida deve dobrar. Esse é o obejtivo estabelecido pelas Nações Unidas e Banco Mundial. Uma meta inalcansável se as mudanças seguirem no ritmo atual, avaliou o próprio Banco Mundial em um estudo publicado, em Viena.
Nos últimos 20 anos, cerca de 1,7 bilhão de pessoas receberam pela primeira vez acesso à rede elétrica. Ainda assim, aproximadamente 1,2 bilhão ainda vivem sem eletricidade quase a população da Índia. Ao mesmo tempo, a população mundial aumentou em 1,6 bilhão nas últimas duas décadas. Para alcançar a meta, é preciso dobrar a velocidade de conexão às redes distribuidoras dos que vivem no escuro.
No Brasil, segundo o Banco Mundial, a eletricidade chega para 98,3% da população. O país emergente também é o sétimo maior consumidor China, Estados Unidos e Rússia são os primeiros do ranking.
Saber onde está o problema
Na Nigéria e no Afeganistão, por exemplo, quase a metade da população não tem acesso à eletricidade, segundo dados da entidade. Na Índia, há mais de 300 milhões de pessoas nas mesmas condições, mesmo depois da ampliação das redes elétricas nas últimas décadas.
- O que pode ser medido também pode ser implementado - diz Rachel Kyte, do Banco Mundial. Em um primeiro momento, defende, dados precisam ser coletados e, em seguida, uma solução deve ser encontrada para colocar o objetivo em prática.
Esse também é o ponto de vista de Claudia Kemfert, do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica, em Berlim. "Esse é um relatório importante para reconhecer onde sucessos foram alcançados e quais ajustes ainda precisam ser feitos para que a meta principal seja atingida."
Detalhes obscuros
Ainda não está muito claro como exatamente essas pessoas devem ganhar acesso à energia elétrica – que provavelmente não será da forma mais sustentável. Stefan Schleicher, do Centro Wegener para Clima e Mudanças Globais, em Graz, na Áustria, enfatizou em entrevista à agência alemã de notícias DW que a descentralização da distribuição de energia é a melhor estratégia. "Em áreas rurais, a construção de redes de transmissão é completamente inútil." Os países já deixaram a telefonia fixa para começar diretamente com celulares. A mesma coisa pode ser feita no setor de eletricidade, opina.
Claudia Kemfert defende a importância do fornecimento de unidades descentralizadas. "Se uma tecnologia mais moderna como biomassa sustentável e energias renováveis for fornecida, ao invés de antigos geradores a diesel, já é um grande progresso." Depois daria para pensar em uma conexão à rede, adiciona a especialista.
Falta de planejamento
Os cálculos do Banco Mundial mostram que as fontes renováveis geram atualmente 18% da energia em todo o mundo. O alvo é chegar a 36% até 2030. Quanto ao ao quesito organização, Schleicher sente falta de uma abordagem mais clara. "Objetivos devem estar ligados a horários e roteiros. O estudo não aborda muito este aspecto."
Já Kemfert contesta o argumento: "O que o estudo deixa claro é que ainda há um subsídio muito grande de combustíveis fósseis e que há uma necessidade de mudança em direção às energias renováveis", disse em entrevista para a DW.
Ela espera que os outros relatórios sejam publicados nos próximos anos para que haja uma pressão internacional. Mas até mesmo para o Banco Mundial, está claro que centenas de bilhões de dólares adicionais são necessárias a cada ano para atingir o sucesso desejado no setor de eletrificação, eficiência energética e energias renováveis.
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