As tarifas públicas voltaram a influenciar o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), na apuração da semana que terminou em 22 de julho de 2005. A maior elevação foi provocada pelo impacto do reajuste da Tarifa de Telefone Residencial, que entrou em vigor no dia 3 de julho. O item passou de 2,04% para 3,26% de uma semana para a outra. A alta foi compensada, em parte, pela queda da Tarifa de Eletricidade Residencial nas cidades de Recife e São Paulo.
O Coordenador do IPC Brasil do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Furtado Braz, disse que o impacto da Tarifa de Telefone vai se estender ao longo do mês e que nesta semana ficou semelhante à taxa do Índice.
- Ainda estamos captando, no momento, uma pressão forte na parte de administrados, por conta de Tarifa de Telefonia Fixa, que está representando ao todo mais do que todo o IPC-S. Se o IPC fosse calculado somente com base em Telefonia, a variação teria sido de 0,14%, 0,02 ponto percentual, acima do que foi divulgado hoje. Da mesma forma se nós extrairmos do IPC-S o efeito da Telefonia Fixa encontramos taxa negativa e ele seria - 0,02%. Senão fosse a presença desse administrado a taxa no momento seria mais baixa - explicou.
Mesmo assim, o economista considerou um bom resultado, a taxa da terceira semana de julho, ficando com variação de 0,12%, o que representou desaceleração se comparado à taxa anterior, quando variou 0,14%.
- Nós esperávamos, que a taxa viesse um pouco acima da semana passada e ela veio um pouco abaixo, isso porque, pressões que nós esperávamos receber do grupo Alimentação não se confirmaram. Produtos que já estariam entrando em período de entressafra como laticínios e carnes bovinas mostraram continuidade na redução de seus preços. Então, isso favoreceu a manutenção da taxa do grupo de Alimentação no mesmo patamar que da semana anterior, até mais baixo, como foi o caso dessa edição - analisou.
Para o economista, a parte de Hortaliças e Legumes e Frutas também apresentou uma trégua. Ele informou que apesar do item Hortaliças e Legumes mostrar aceleração na taxa e ficar menos negativo que na semana passada, a parte de Frutas sofreu desaceleração expressiva, onde a taxa saiu de 5% para 3%.
-Acabou compensando o efeito da aceleração de Hortaliças permitindo que Alimentação ampliasse um pouco mais a deflação ficando em - 0,68% nessa semana - afirmou.
Segundo André Furtado Braz, do total de 21 gêneros que compõem o grupo Alimentação, 15 apresentaram taxas negativas. Além disso, houve 12 desacelerações. - Existe um cenário muito favorável na parte de Alimentos. Apesar do atacado ter registrado alguma pressão de alimentos in natura e de alimentos processados, isso ainda não chegou ao varejo. Isso acabou beneficiando a manutenção do IPC-S próximo ao patamar da semana passada sendo a taxa até um pouco mais baixa - avaliou.