Rio de Janeiro, 14 de Março de 2026

Aumento de parlamentares é questionado no STF

Reunido na manhã desta segunda-feira, o grupo de deputados e senadores contra o aumento de 90,7% para os vencimentos dos parlamentares decidiu ingressar com um mandado de segurança, no Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar impedir que entre em vigor a partir de fevereiro o novo valor de R$ 24,5 mil. (Leia Mais)

Segunda, 18 de Dezembro de 2006 às 10:32, por: CdB

Reunido na manhã desta segunda-feira, o grupo de deputados e senadores contra o aumento de 90,7% para os vencimentos dos parlamentares decidiu ingressar com um mandado de segurança, no Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar impedir que entre em vigor a partir de fevereiro o novo valor de R$ 24,5 mil. Segundo o grupo, as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado têm autonomia para decidir sozinhas aumento salarial dos parlamentares.

- Há do lado da população e do eleitor uma imensa e justificada indignação. Do lado dos parlamentares, um crescente constrangimento. Considero essa decisão equivocada, politicamente derrotada e acho que o caminho é se voltar atrás - afirmou Jungman.

O deputado Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB, disse neste domingo que o aumento dos salários dos deputados e senadores deve ser "reconversado", tendo em vista que a medida não recebeu "uma palavra sequer" de apoio.

- A repercussão foi extremamente negativa, nós todos sabemos disso. Tenho observado pela imprensa que não houve uma palavra sequer de compreensão e de apoio - disse Temer.

Temer achou "razoável" que a a proposta de reajuste dos parlamentares siga os índices de inflação dos últimos quatro anos.

- Acho que seria menos de 30%. Acho que deve haver um reconversação sobre esse assunto porque a repercussão foi muito negativa e isso não é bom nem para o Congresso Nacional e nem para o país. Nós temos que compreender isso e temos que propor uma fórmula que seja adequada - disse ele a jornalistas.

Já o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, irritou-se com a posição de Temer, que seria um tipo de porta-voz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o aumento. O pefelista acusou o presidente do PMDB de omissão..

- A decisão do aumento está tomada. Ele podia ter feito essa crítica antes da reunião (com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros), mas preferiu o silêncio.

O partido do governo, no entanto, ainda não tem uma posição definida contra o aumento de quase 100% sobre o vencimento dos parlamentares. Líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS) apóia a idéia de submeter ao Plenário a medida, decidida em em reunião fechada na última quinta-feira. Ao lado do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), o petista votou contra a equiparação dos subsídios ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

- A sociedade repudiou essa medida porque a proposta foi descalibrada. O plenário é que deve decidir e, aí, creio que o aumento não sairá assim. Vou apoiar qualquer ação para tornar viável o recuo desse aumento abusivo - disse ele, em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira.

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