(6’26” / 1,47 Mb) – Ao lado de movimentos sociais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) iniciará – nesta quarta-feira (06) – diversas mobilizações em defesa da classe trabalhadora. Com o lema “É tempo de ousadia para ampliar os ganhos reais”, os manifestantes prometem realizar atividades de panfletagens e passeatas em todo o Brasil. Estão entre as pautas o fim do fator previdenciário e reforma políticas e tributárias.
Em entrevista à Radioagência NP, o presidente da CUT, Arthur Henrique, afirma que os trabalhadores devem se unir em defesa de um novo modelo de desenvolvimento, para que todos conquistem ganhos reais com o crescimento brasileiro. Ele ressalta que no atual momento econômico do país, todos os setores da economia estão ganhando muito e, por isso, “é hora de dividir parte desses lucros com os trabalhadores”.
Radioagência NP: Arthur, por que a CUT tirou resolução – em reunião da executiva nacional – afirmando que “É tempo de ousadia para ampliar os ganhos reais”?
Arthur Henrique: Quando falamos em ousadia, queremos mostrar que é mentira que o aumento de salários causa inflação. Mostramos também que precisamos ampliar a participação dos trabalhadores na renda nacional. Para isso, temos que fazer muitas mobilizações, greves e pressão nas campanhas salariais. Temos que aproveitar esse momento econômico que é bom para o Brasil e para as empresas do país. Todos os setores estão ganhando muito, então é hora de dividir parte desses lucros com os trabalhadores.
Radioagência NP: Neste contexto, quais os fatores causam a inflação?
AH: O que causa inflação é ganância, especulação. Especulação com alimentos como faz o agronegócio, com o petróleo, com as commodities no mercado internacional. Essa ousadia é justamente mostrar que a crise de 2008 – baseada numa especulação financeira, numa bolha imobiliária, de coisas que não são do mundo real, como produção, emprego, bens materiais ou alimentos – começou a migrar para cá. Começou a ser transferida na prática para uma especulação dentro dessa questão dos alimentos, em relação às commodities internacionais, trazendo inflação. E, junto a isso, a decisão de países como os EUA de colocar a maquininha para gerar dólar.
Radioagência NP: E quando iniciará essa ofensiva?
AH: Na verdade nós já estamos fazendo desde o início do ano. Todo mês temos datas-bases e mesas de negociações dos nossos sindicatos com os patrões. Estamos apresentando para os trabalhadores o que chamamos de uma campanha salarial unificada. A [campanha] do primeiro semestre está acabando agora, com grandes vitórias, pois nossos acordos tiveram ganhos reais, acima da inflação. Agora no segundo semestre vamos fazer uma grande campanha salarial unifica. Vamos incentivar os sindicatos e os trabalhadores a lutarem pela ampliação dos seus direitos.
Radioagência NP: A CUT diz que quer combater a criminalização contra os trabalhadores. Atualmente, como acontece a criminalização?
AH: A primeira questão é a luta contra a criminalização e contra os crimes que estão acontecendo no campo e na cidade, com o assassinato de dirigentes sindicais e lideres operários. A segunda é essa criminalização através de falta de legislação de práticas antissindicais. O que é isso? Hoje nós temos uma quantidade de dirigentes sindicais no Brasil que são demitidos todos os dias, sendo que eles têm estabilidade no emprego para fazer a função de brigar com o patrão – no ponto de vista da luta por melhores condições de trabalho. Tem também os meios de imprensa que trabalham para criminalizar a luta dos trabalhadores por melhores salários.
Radioagência NP: Como você avalia a política econômica do governo federal?
AH: Continuamos criticando a política econômica, principalmente no modo como se enfrenta a questão da inflação, apenas aumentando a taxa de juros. Aumentar a taxa de juros freia o consumo, o desenvolvimento do país, não gera emprego, e acaba se transformando num tiro no próprio pé. Quando não tem crescimento econômico, não tem aumento do consumo, não tem aumento da renda. Se as pessoas não compram, a indústria não produz, o comércio não vende. Portanto demitem. Então volta para o círculo vicioso.
Radioagência NP: O alinhamento da CUT com o governo federal está sendo criticado pelos setores da esquerda. Qual sua avaliação sobre as criticas?
AH: Neste momento é preciso ter uma unidade muito grande do movimento sindical para enfrentar o que nós chamamos da disputa de modelo de desenvolvimento que está colocado para o país. Esse posicionamento de querer crescer criticando ou tentando desqualificar outra central sindical não ajuda na proposta de quem quer construir um movimento social que tenha condição de estabelecer uma disputa de modelo. Papel da central sindical é negociar.
De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.
Entrevista: Nilton Viana.
04/07/11