Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Aumentam protestos contra a reserva Raposa Serra do Sol

Terça, 26 de Abril de 2005 às 13:38, por: CdB

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologou, este mês, a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, na região Norte, índios, governos e entidades indigenistas comemoraram o fim de um problema que se arrastava havia mais de 20 anos.

Menos de duas semanas depois, porém, na terça-feira, quatro policiais federais eram mantidos reféns na aldeia Flexal, em Roraima, nas mãos de índios descontentes com a oficialização da reserva.

Em outra região do Estado, que faz fronteira com a Venezuela e com a Guiana, índios e moradores bloquearam a BR-174, que passa pela cidade brasileira Paracaima e vai até Santa Elena, na Venezuela.

A medida do governo prevê a retirada, em um ano, de todos os não-índios da reserva, indenizando aqueles que tenham direitos adquiridos, e estabelecer pólos de desenvolvimento agropecuário, além de programas de saúde e educação.

Mas a Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima afirma que isso vai impedir o desenvolvimento e isolar as tribos, privando-as dos benefícios do progresso como a eletricidade e do acesso aos serviços de saúde e educação.

O governador de Roraima, Ottomar Pinto, recorreu à Justiça contra a demarcação, e deputados estaduais rejeitaram a criação da reserva de mais de 15 mil quilômetros quadrados, onde vivem cerca de 16.500 índios de cinco etnias.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), que diz representar a maioria dos índios da região, acusa o governador, os parlamentares e os produtores de arroz de estarem por trás dos protestos dos índios descontentes.

Um porta-voz da PF em Roraima minimizou a iminência de confrontos e afirmou que os quatro policiais reféns em Flexal transitam livremente entre a população e mantêm suas armas, embora não possam sair do local.

Sobre o bloqueio da estrada, o representante afirmou que ele é apenas parcial, "já que podem passar os moradores locais, sejam brasileiros ou venezuelanos. A situação está controlada".
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, também culpa os plantadores de arroz pela resistência à homologação, que transformou Raposa Serra do Sol em uma reserva contínua, e não um conjunto de "ilhas" indígenas, como era até então.

A reserva, habitada por tribos ingarikó, makuxi, taurepang e wapixana, abriga grandes plantações de arroz, que terão de ser abandonadas.

Em 17 de abril, dois dias depois da assinatura da homologação, a Polícia Federal deu início à Operação Upatakon, ou "Nossa Terra", em macuxi, para controlar o cumprimento da determinação. Diante dos protestos, a operação recebeu um reforço esta semana de mais 70 policiais, elevando o contingente na região para 210, afirmou um porta-voz da PF.

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