O representante do Brasil nas discussões sobre a Alca, Adhemar Bahadian, disse na sexta-feira que surgiram novos problemas na questão agrícola com os Estados Unidos, ameaçando dificultar ainda mais as negociações da formação da Área de Livre Comércio das Américas.
Bahadian, co-presidente das negociações da Alca juntamente com o norte-americano Peter Allgeier, disse em entrevista coletiva que os Estados Unidos apresentaram novas exigências sobre impostos alfandegários e acesso a mercados de produtos agrícolas, o que já era considerada uma questão resolvida.
"Essa é uma tendência preocupante", disse Bahadian na embaixada do Brasil em Washington, após se reunir com Allgeier.
"Hoje, na reunião que tivemos, tive a ingrata, triste surpresa de saber que os temas relacionados com a agricultura continuam causando problemas para o lado americano (Estados Unidos)", afirmou.
Bahadian disse que foi "particularmente perturbador" o fato de os EUA agregarem mais exigências além do problema dos subsídios agrícolas que Washington concede a seus produtores rurais, um tema que tem travado as discussões.
Agora Washington queria que alguns produtos agrícolas fossem excluídos do acordo. Há produtos que nunca chegarão à tarifa zero, o que é uma novidade surpreendente e muito pouco construtiva para que se chegue a um acordo", disse o embaixador, sem identificar quais seriam esses itens.
Tradicionalmente, os EUA e o Brasil mantêm diferenças sobre açúcar, suco de laranja e algodão, entre outras coisas.
Bahadian destacou que os negociadores acertaram um novo encontro em Buenos Aires, no próximo 2 de junho, para continuar as discussões sobre a Alca.
Questionado se os problemas significavam um adiamento da Alca -- cujas negociações devem terminar antes do final do ano -, Bahadian disse que as datas são fixadas pelos presidentes. Porém, reconheceu que, "realmente, há atrasos".