O Partido Democratas (DEM) elevou o tom na pressão pela renúncia do deputado Edmar Moreira (DEM-MG) da 2ª Vice-Presidência da Mesa Diretora, que acumula as funções da Corregedoria da Casa. Enfraquecida após as últimas eleições municipais, a agremiação que representa os setores mais à direita da sociedade brasileira vê o caso do parlamentar, proprietário de um castelo no interior de Minas Gerais, que sonegou a propriedade à Justiça Eleitoral, como um desgaste perigoso para a legenda. Em nota, o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), diz que o DEM decidiu pedir a renúncia depois da recomendação de Edmar Moreira de retirar da Câmara a prerrogativa de julgar deputados, e das contradições em sua declaração de bens.
O DEM, na nota, "considera que quaisquer decisões, mesmo que corretas, tomadas pelo deputado no exercício das suas funções serão sempre eivadas de suspeição, com evidentes prejuízos para a imagem do Poder Legislativo". A nota informa, ainda, que o DEM vai encaminhar as denúncias à comissão de ética do partido, para que seja concedido o direito de defesa "conforme os ritos estabelecidos estatutariamente", antes da decisão final.
Moreira não comentou a posição da Executiva Nacional. Na véspera, em entrevista coletiva, o deputado mineiro chegou a dizer que não havia motivo algum para renunciar, pois não havia sido condenado por nenhum tipo de crime.
– Eu acho que toda denúncia que chegar à Casa, seja de que natureza for, tem que ser analisada e levada em consideração às últimas consequências – afirmou.
Maquiagem
Na coletiva, Moreira voltou a negar as denúncias de sonegação junto à Justiça Eleitoral da propriedade de um castelo, no interior de Minas Gerais, avaliado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. Moreira insiste que o castelo e todos os seus outros imóveis foram transferidos para os filhos, Julio e Leonardo, em dezembro de 1993. A medida, no entanto, segundo analistas, pode ser considerada à luz da lei como uma maquiagem contábil.
Outro ponto agravante para a permanência do deputado no cargo foi publicado na edição desta sexta-feira do jornal paulistano Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, assinada pelos jornalistas Marta Salomon, Alan Gripp e Fernanda Odilla, a empresa de vigilância da qual Moreira é o dono, conseguiu um empréstimo de R$ 1,9 milhão junto ao Banco do Brasil, em setembro de 2006, embora esteja inadimplente, cheia de dívidas e à beira da falência. "O empréstimo não foi pago e a empresa é executada judicialmente na 21ª Vara Cível de São Paulo", diz o texto.
A F. Moreira Empresa de Segurança e Vigilância, apesar de sua situação difícil, teria doado R$ 72 mil para as campanhas à reeleição do congressista e de seu filho, o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG). Ainda segundo a FSP, "não é só o Banco do Brasil que afirma ser vítima de calote do novo corregedor da Câmara. A F. Moreira é alvo de 123 protestos em cartórios de São Paulo, que cobram um valor total de R$ 551 mil. Além disso, a empresa é alvo de inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o congressista. Ele é acusado de descontar o INSS de seus empregados e não repassar o dinheiro à Previdência. A dívida cobrada em apenas um processo supera R$ 1 milhão".