Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Aumenta número de mortes violentas no entorno das favelas do Rio

As áreas em torno das favelas do Complexo do Alemão, Vigário Geral e outras comunidades da Zona Norte do Rio tiveram um salto nas estatísticas sobre a violência em 2007. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Estado, foram 91 assassinatos e 111 mortes sob a alegação resistência.

Terça, 02 de Outubro de 2007 às 06:53, por: CdB

As áreas em torno das favelas do Complexo do Alemão, Vigário Geral e outras comunidades da Zona Norte do Rio tiveram um salto nas estatísticas sobre a violência em 2007. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram 91 assassinatos e 111 mortes sob a alegação resistência - essas são as pessoas mortas pela polícia por supostamente resistirem à prisão.

Os dados, calculados de janeiro a agosto deste ano, mostram que morreram mais pessoas por ação da polícia que de criminosos: uma diferença de 20 mortos. Totalizando em 75 mortes a mais que no ano passado, as estatísticas sugerem que o aumento no número de homicídios se deu por conta das operações policiais iniciadas em maio no Complexo do Alemão.

Segundo o especialista em segurança pública e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) João Trajano, a ação do Estado para combater o tráfico de drogas e a violência não deve ser apenas policial, e sim acompanhada de intervenções sociais.

— Não acredito que a ação policial por si própria seja capaz de modificar o quadro de violência e criminalidade da região. O enfrentamento pesado causa muitos transtornos para a população local, muitas mortes causadas por policiais, e não resolve o problema — disse.

A Polícia Militar permanece nos acessos ao Complexo do Alemão há cinco meses, e contam, desde junho, com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública. Apesar das operações na região, poucos crimes tiveram redução significativa.

Os roubos a residências, a lojas e a pedestres, por exemplo, aumentaram de 2006 para 2007. A assessoria de imprensa da Polícia Militar não quis se pronunciar sobre o assunto.

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