Houve um aumento significativo da população indígena das áreas urbanas do país na década de 90, segundo o censo sociodemográfico divulgado nesta terça-feira pelo IBGE.
O fenômeno também é observado nas áreas rurais, porém em menor escala. Em 1991, o Brasil possuía 223 mil indígenas nas zonas rurais (76,1% do total). Em 2000, 383 mil residiam em zonas urbanas (52% do total).
Essa aparente urbanização deve-se a uma maior autodeclaração nas regiões Sudeste e Nordeste, que têm menor número de terras indígenas homologadas e onde ocorreram, nas últimas décadas, importantes movimentos de reemergência étnica indígena.
Por outro lado, nas regiões em que há maior número de terras indígenas, como no Norte e Centro-Oeste, a maioria dos indígenas está na área rural, como esperado.
Em 2000, 18,1% dos indígenas moravam nas capitais, enquanto que, em 1991, esse percentual era de 12,0% (crescimento de 50,5%).
Apesar desse movimento, algumas capitais do Norte (Porto Velho, Rio Branco e Boa Vista); do Nordeste (Fortaleza) e as da região Sudeste, com exceção de Vitória (ES), tiveram redução na proporção de pessoas autodeclaradas indígenas com relação ao total do estado.
O município de São Gabriel da Cachoeira (AM) detinha, em 2000, a maior proporção de índios no país, seguido de Uiramutã (RR).
Ambos apresentavam praticamente 2/3 de sua população indígena. São Gabriel da Cachoeira tinha também o maior número absoluto de indígenas.