Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Aulas são reiniciadas com o fim da greve de professores em Niterói

Após 72 dias, encerrou-se nesta segunda-feira a maior greve já deflagrada na rede escolar municipal de Niterói, cidade distante 20 quilômetros do Rio, por sindicalistas ligados aos partidos de oposição do governo petista de Godofredo Pinto, com o apoio do Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro. Na avaliação do prefeito, "essa greve foi um desgaste para todos", enquanto que para os sindicalistas, representados pela diretora do SEP, professora Maria José Ferreira de Mello, "o movimento ainda não terminou totalmente". (Leia Mais)

Segunda, 16 de Maio de 2005 às 11:38, por: CdB

Após 72 dias, encerrou-se nesta segunda-feira a maior greve já deflagrada na rede escolar municipal de Niterói, cidade distante 20 quilômetros do Rio, por sindicalistas ligados aos partidos de oposição do governo petista de Godofredo Pinto, com o apoio do Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro. Na avaliação do prefeito, "essa greve foi um desgaste para todos", enquanto que para os sindicalistas, representados pela diretora do SEP, professora Maria José Ferreira de Mello, "o movimento ainda não terminou totalmente".

A paralisação que causou o fechamento de quatro escolas integralmente e 31 parcialmente, enquanto 54 tiveram funcionamento normal, inclusive as creches municipais, ainda gera desentendimentos entre o poder público e os sindicalistas. Os números não batem nas contas do SEP, que credita "uma adesão de 60% à greve", segundo Maria Mello, e as da prefeitura, que comprova seus números com base nos cartões de ponto dos profissionais do setor que indicam a ausência de 500 professores e a presença de mais de 2 mil em sala de aula.

- Essa greve teve notória conotação política e não fez bem a nenhum dos lados. O maior problema foi a incompetência do SEP, que misturou luta política com luta jurídica e, com isso, arrastou o processo de negociação para este impasse que desgastou alunos, pais, professores e governo. Ninguém saiu ganhando nada com isso, a não ser a certeza de que é preciso negociar com a realidade. É com base no realismo que se conduz uma negociação sindical, e não com metas impossíveis de serem atingidas, como é o caso dessa paralisação. Somente as reposições exigidas representariam um aumento de mais de 100% nos salários, o que iria gerar um impacto negativo expressivo nas contas do tesouro municipal - afirmou Godofredo Pinto, que é professor e já foi presidente do SEP.

O descompasso no calendário letivo deste ano, gerado pela greve dos professores, segundo o prefeito, "será compensado integralmente ao longo do ano, com aulas extras nas turmas prejudicadas, mas não haverá perda de nenhuma hora-aula sequer", garantiu. Para os professores que aderiram ao movimento paredista, no entanto, "ainda há pontos a serem negociados com o poder público municipal", disse Maria Mello.

- Até esta quarta-feira, quando teremos um encontro com o secretário municipal de Educação, professor Waldeck Carneiro, mantemos a nossa posição: queremos corrigir este grave desvio salarial ocorrido em Niterói, que está há 11 anos sem reposição salarial - disse Mello. O prefeito, porém, rebate a acusação dos sindicalistas ao afirmar que, em 2001, com a edição do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS), os salários foram corrigidos.

Segundo a sindicalista, "será mantido o estado de greve", o que para o prefeito é uma incógnita:

- Ora, ou se está em greve ou as aulas voltaram normalmente. Não conheço estado de greve, só estado de gravidez.

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