Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Auditoria revela que a TAM não é a única culpada por crise no Natal

Quarta, 04 de Abril de 2007 às 14:16, por: CdB

Auditoria realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na empresa aérea TAM revelou que o "número anormal de atrasos e cancelamentos de vôos" ocorridos na véspera do último Natal ocorreu devido "à soma de uma série de fatores". Segundo constatou a auditoria, 328 vôos foram cancelados entre os dias 18 e 25 de dezembro por problemas no controle do tráfego aéreo (67,24%), devido à necessidade de manutenção em aeronaves (19,45%), por razões meteorológicas (7,88%), de baixo aproveitamento (4,34%), por problemas com a tripulação (0,46%) e por outros motivos (0,68%).

A partir da análise dos sistemas de reserva e técnico-operacional da TAM, a Anac produziu dois relatórios, apresentados em sua última reunião, no dia 30 de março. Enquanto o primeiro documento analisa a estratégia comercial da empresa, o segundo trata das panes ocorridas em aviões da companhia e as medidas adotadas para repará-los.

O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, aprovou o relatório, mas não ficou satisfeito com as respostas dos auditores para as causas da crise.

- Ora, se 86,7% dos cancelamentos deveram-se à condições alheias à administração da empresa, porque as demais companhias não enfrentaram a mesma situação crítica? -, questionou Zuanazzi.

Os auditores apuraram que no período (18 a 25 de dezembro) a TAM estava com 486.278 assentos reservados e pretendia operar com 730.148 assentos. Embora o número não indique a prática de overbooking (venda de passagens além da capacidade), os auditores apontaram 58 rotas com alto índice de ocupação durante toda a semana que antecedeu o Natal. Para eles, estava claro que a empresa, operando perto de sua capacidade máxima, enfrentaria dificuldades para reacomodar os passageiros caso ocorressem problemas como os vôos previstos.

No total, os auditores confirmaram 664 casos de sobrevenda de passagens, que só não resultaram no impedimento de o passageiro viajar porque a empresa ou recorreu a aviões de maior capacidade ou porque outros passageiros deixaram de comparecer ao embarque. Mesmo assim, 83 pessoas não conseguiram viajar. Os vôos com destino à Região Norte foram os mais afetados.

De acordo com a Anac, o alto índice de ocupação em vários vôos e por vários dias consecutivos colocaram a TAM em uma situação de vulnerabilidade. O relatório diz que "fica claro o chamado efeito dominó, onde vôos atrasados acabam por atrasar outros vôos e os vôos cancelados contribuem para o agravamento da crise". No início da crise, constatou-se que a empresa não apresentava capacidade ociosa suficiente para realocar no mesmo dia os passageiros dos vôos cancelados, diz ainda o relatório.

O relatório garante que o fretamento de vôos não foi o fator preponderante para o início da crise, cujo auge foi registrado entre os dias 20 e 22 de dezembro de 2006, período no qual a empresa operava com um percentual de fretes que variava entre 0,75% e 2,21% de sua frota, índice considerado baixo pela Anac.

Somente no final de semana, quando a situação já começava a se normalizar, esse percentual chegou a 20%.  A auditoria também investigou se funcionários da manutenção da TAM teriam realizado uma operação-padrão; a quantidade de aeronaves em manutenção e o número de tripulantes para atender a demanda prevista.

Os auditores disseram não ter encontrado indícios de operação-padrão por parte dos mecânicos. Segundo o relatório, ficou clara a deficiência de mecânicos nos aeroportos de Brasília e do Galeão, no Rio de Janeiro, situação que já na época a empresa reconheceu e afirmou estar resolvendo.

Quanto as horas voadas por tripulantes, ficou comprovado que o número de funcionários era compatível com o total de vôos previstos, "tanto que não houve significativo número de cancelamentos de vôo por esse motivo", afirma o relatório.

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