Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Auditores acham problemas em trabalho da Halliburton no Iraque

Terça, 15 de Junho de 2004 às 13:41, por: CdB

Auditores do Pentágono disseram na terça-feira ter encontrado "deficiências significativas" no modo como a Halliburton, empresa que já foi comandada pelo vice-presidente Dick Cheney, está executando trabalhos no Iraque, com uma verba de bilhões de dólares.

Durante depoimento em uma audiência sobre as licitações para serviços no Iraque, o chefe da agência de auditoria do Pentágono citou problemas com o sistema de cobrança da empresa e com a terceirização de serviços, além do superfaturamento das refeições servidas aos soldados.

A Kellogg Brown and Root, subsidiária da Halliburton -- que tem sede no Texas --, pode faturar mais de 18 bilhões de dólares em seus dois grandes contratos no Iraque: um para administrar a logística das tropas norte-americanas e outro para recuperar a infra-estrutura petrolífera iraquiana.

"O DCAA identificou deficiências significativas nas práticas de estimativa de custos da KBR relativas à terceirização", disse William Reed, diretor da Agência de Auditoria de Contratos da Defesa, durante depoimento no Capitólio.

Ele afirmou que essas deficiências causaram um possível superfaturamento do fornecimento de refeições aos soldados dos EUA no Kuwait e no Iraque, e que as Forças Armadas norte-americanas estavam retendo o pagamento de 186 milhões de dólares em refeições.

Uma análise interna da própria empresa descobriu que a KBR superestimou o preço das refeições em 19 por cento, mas para os auditores militares esse percentual pode chegar a 36 por cento, segundo informou Reed ao comitê de reforma de governo da Câmara.

A Halliburton vem sendo investigada por vários departamentos do governo por causa da sua atuação no Iraque. A empresa defende vigorosamente seu trabalho em território iraquiano.

A companhia virou alvo frequente de críticas de democratas neste ano eleitoral, numa campanha que os republicanos afirmam ter o objetivo de atingir a credibilidade do vice-presidente, que dirigiu a Halliburton entre 1995 e 2000. Bush, que é texano, concorre à reeleição em novembro. Seu adversário é o senador democrata John Kerry.

O deputado democrata Henry Waxman, da Califórnia, afirmou no fim de semana que um dos principais subordinados de Cheney e outras autoridades da administração Bush sabiam de um plano do Departamento de Defesa para entregar à Halliburton trabalhos no Iraque.

O gabinete de Cheney nega qualquer malversação e afirma que o vice-presidente não fez nada irregular e não influenciou no envolvimento de contratos da Halliburton no Iraque.

Os auditores também encontraram problemas em outros contratos, incluindo a cobrança de um subcontrato no valor de 420 milhões de dólares com a empresa Titan Corp, de San Diego, que fornecia intérpretes.

Um empregado da Titan e um funcionário terceirizado estavam envolvidos no escândalo de maus-tratos de presos, e Reed disse que a empresa afirmou ao governo que ia "ajustar" em 178 mil dólares o trabalho executado por essas pessoas.

Os auditores também estavam analisando um contrato com a CACI International, que forneceu investigadores envolvidos no escândalo.

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