Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Audiência pública na Câmara discute as causas dos tumultos envolvendo trabalhadores no canteiro de obras da Usina de Jirau

Terça, 28 de Junho de 2011 às 17:00, por: CdB

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Dois meses após o tumulto envolvendo trabalhadores no acampamento da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), o Ministério Público do Trabalho volta ao canteiro da obra e lavra 212 autos de infração a normas trabalhistas e de segurança, segundo o procurador Francisco José Cruz que participou de audiência pública terminada no início da noite de hoje (28), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

O diretor institucional do consórcio Energia Sustentável do Brasil, José Lúcio de Arruda Gomes, descartou a hipótese dos tumultos ocorridos entre os dias 15 e 17 de março tenham sido provocados por causa de reclamações trabalhistas. “Aquilo não foi coisa de trabalhador”. Ele declarou à Agência Brasil que “a fagulha [do episódio] foi criminal”, disse ao lembrar que houve tentativa de arrombamento de 10 caixas automáticos de bancos existentes no acampamento e o período coincidiu com o pagamento de salários.

Dezessete pessoas envolvidas estão presas pela Polícia Civil de Rondônia, “algumas delas tinham mandado de prisão em outros estados”, disse o diretor que ainda elenca a possibilidade de que possa haver alguma associação entre os supostos criminosos e grupos trabalhistas radicais. Além da Polícia Civil, a Polícia Federal também abriu inquérito para apurar o caso. Segundo o presidente do consórcio Energia Sustentável, Victor Paranhos, os órgãos de segurança institucional do governo federal também acompanham as investigações.

Para o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores das Indústrias dos Estados de Rondônia e do Acre (Fitrac), Antônio Acácio Amaral, o consórcio tem algum interesse no episódio. “Me mostre uma agulha da Camargo [Corrêa] incendiada”, disse durante a audiência pública. A mesma tese tem o deputado federal Delegado Waldir (PSDB-GO): “nenhum maquinário de grande valor foi queimado”, declarou.

De acordo com o consórcio, 70 alojamentos e 50 ônibus usados pelos trabalhadores foram queimados; além de uma lavanderia, uma farmácia e uma sala de TV existentes no canteiro e carros particulares.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, descarta interesse da empresa e pondera que havia de fato razões para a “revolta popular”, em função das condições de alojamento; dificuldades de acesso ao refeitório; e da diferença de salários e de benefícios. Segundo o procurador Francisco José Cruz, ainda não há como “ mensurar o fato específico que originou aquela revolta”, mas sublinha problemas causados pelo grande fluxo populacional na obra e pela terceirização e até “quarteirização” de empresas prestadoras de serviço.

Em março, cerca de 22 mil pessoas trabalhavam na obra, apenas 70 empregados do próprio consórcio. A maioria era da Camargo Correia (responsável pelas obras de construção), da Enesa (montagem da estrutura de instalação das turbinas) e da Toshiba (linha de transmissão). O consórcio Energia Sustentável do Brasil é formado pela franco-suíça GDF-Suez (50,1% do capital); pelas estatais Eletrosul e Chesf (20%, cada) e pela empreiteira Camargo Corrêa (9,9%).

 

Edição: Aécio Amado

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