Um problema da articulação da mandíbula, desconhecido inclusive pela maiora dos acometidos, deve atingir pelo menos 68 milhões de pessoas, só no Brasil. É a ATM, um tipo de traumatismo causado por vários fatores, como estresse, traumas, ausência de dentes, oclusão severa, restauração dentária muito alta e dentes desgastados. Como em geral o portador desconhece a disfunção, quando tem a iniciativa de procurar por ajuda médica, passa por especialistas que não são adequados para resolver o problema. ATM é a sigla para Articulação Temporo-Mandibular, localizada junto ao lobo da orelha e muito suscetível a problemas porque é a região que permite todos os movimentos da boca, seja o do simples abrir e fechar, o de arrastar o maxilar para os lados, o da fonação (falar), o da deglutição. "Se não estiver equilibrada, é uma região muito propensa a traumatismos", explica o ortodontista paranaense Miguel Ferreira, especializado em ATM. Os acidentes, chamados de traumas no jargão médico, que atingem o queixo também podem desencadear o problema devido a uma compressão dos tecidos na região. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) aprovou, no ano passado, a regulamentação dessa especialidade que, dependendo do caso, no entanto, pode exigir um trabalho multidisciplinar, envolvendo o cirurgião e o psicoterapeuta. Relatos contidos na literatura científica norte-americana já apontavam, há algum tempo, para uma abrangência da doença de 40%, na população. O percentual, segundo Ferreira, se repete no Brasil. Dentro desse percentual, 25% sente o problema mais acentuadamente e procura por tratamento, mas só 40% dos portadores de casos mais agudos chegam a passar pelo tratamento especializado. Como as dores se localizam muito próximas do ouvido, o otorrino é o médico mais procurado, quando o caso poderia ser encaminhado pelo dentista do paciente. "Todo cirurgião-dentista tem a obrigação de saber que a má oclusão gera problemas nessa área e, se um paciente se queixa dos sintomas da ATM, certamente esse profissional saberá indicar qual odontólogo é especializado nessa articulação", observa Ferreira. Outro dado estatístico da doença é sua distribuição entre os sexos. As mulheres são mais acometidas na proporção de 2:1 em relação aos homens. Quanto à faixa etária, qualquer pessoa entre 25 e 55 anos de idade, estará mais propensa a desenvolver algum problema de ATM. A estrutura da articulação da mandíbula é complexa, conforme relata o ortodontista. O côndilo é o osso, da cabeça da mandíbula, que se articula com o crânio. Por cima dele, como se fosse um capuz protetor, vem o disco articular, um tipo de menisco com características anatômicas e morfológicas diferentes de outros meniscos como o do joelho, por exemplo. O teto da cavidade é que o movimenta. Entre o côndilo e o disco, há o líquido sinuvial, responsável por nutrir e lubrificar a articulação. Por isso, a oclusão, que é o ato de fechar a boca, tem papel importante no desenvolvimento de problemas da ATM. As restaurações salientes e as perdas dentária modificam a oclusão e, daí, levam a um desgaste maior dos tecidos, atingindo a região da articulação mandibular. "Quadros como esse induzem à fadiga muscular e a um quadro de dores que pode se estender pelo pescoço, ombro, braços, além dos próprios músculos da face. As pessoas com problema de ATM se queixam com frequência de dores de cabeça na porção latero-frontal", relata Ferreira. Segundo o ortodontista, um bom tratamento começa pelo diagnóstico preciso. Depois de detectada a causa, trata-se a própria disfunção em primeiro lugar. Em geral, o dentista coloca um aparelho de acrílico entre as arcadas dentárias para reposicionar o côndilo. Auxiliar a isso, o paciente pode ainda fazer fisioterapia, com ultrassom ou laser, ou tomar medicamentos como analgésicos, antiinflamatórios ou antibióticos. Quando a ATM estiver estabilizada, o que leva de seis a oito meses, na maioria dos casos, vem então o tratamento da causa. "Se é o estresse,
Atrofia na mandíbula atinge 40% da população brasileira
Quarta, 02 de Outubro de 2002 às 19:58, por: CdB