De transportadora de drogas no cinema para indicada ao Oscar na vida real, a atriz colombiana Catalina Sandino Moreno percorreu um caminho longo em um ano.
Quando ela subir no tapete vermelho que conduz à cerimônia do Oscar, em Hollywood, ainda este mês, a indicada ao troféu de melhor atriz por Maria Cheia de Graça disse que terá apenas uma preocupação na cabeça: agir como uma verdadeira dama colombiana.
- Muitas pessoas acham que meu país é um pouco maluco - disse a atriz de 23 anos à Reuters recentemente. - Eu só quero ser vista como uma dama.
A beldade morena é a primeira colombiana já indicada para o Oscar de melhor atriz. Ela diz que não estará representando apenas a ela própria no Oscar, mas também a seu país.
Na cerimônia marcada para 27 de fevereiro, Sandino vai competir pelo Oscar de melhor atriz com Kate Winslet, Annette Bening, Hilary Swank e a britânica Imelda Staunton
Sandino é modesta e tímida. Diferentemente de suas rivais, é novata em sua profissão. Seu primeiro papel no cinema foi o papel-título de "Maria Cheia de Graça", a história de uma jovem "mula" que engole oito pacotes pequenos de heroína para levá-los escondidos aos Estados Unidos.
O filme foi dirigido pelo novato norte-americano Joshua Marston, que o filmou em espanhol e escolheu Sandino, preterindo centenas de atrizes mais experientes, depois de assistir a um vídeo de um teste dela.
Nascida em Bogotá, Sandino já chamou a atenção com "Maria". No Festival de Cinema de Berlim de 2004 ela dividiu o prêmio de melhor atriz com Charlize Theron, e ela foi indicada para melhor atriz pelo Sindicato de Atores de Cinema e Televisão dos EUA.
Mas a indicação ao Oscar significa o reconhecimento instantâneo por parte de caçadores de talentos em Hollywood, estúdios de cinema e a mídia. A atriz conta que, desde que foi indicada ao prêmio, sua vida ficou "muito maluca", com entrevistas e novos roteiros de filmes para ler.
Mesmo assim, em lugar de partir imediatamente para fazer um papel bem pago em Hollywood, no ano passado a atriz se mudou para Nova York e começou a fazer aulas de teatro.
"Era um sonho que eu tinha desde os 17 anos: ir a Nova York e estudar para ser atriz", disse ela.
Seu primeiro trabalho como atriz nos EUA foi uma produção off-Broadway de "King John", de Shakespeare, no Frog & Peach Theatre.
Ela conta que a indicação ao Oscar e o recente relançamento de "Maria" na Colômbia a tornaram famosa em seu país. "Meu irmão me contou que minha foto está nos pontos de ônibus", comentou.
Mas, em Nova York, ela ainda anda de metrô, e ninguém conheceu seu nome. É uma situação que pode mudar dentro em pouco se ela receber o Oscar.