Balanço divulgado pela Infraero, a estatal que administra os aeroportos, aponta que quase um terço dos vôos programados entre a 0h e as 8h desta quinta-feira tiveram atrasos de mais de uma hora. Os problemas são reflexo de uma queda na freqüência do sistema do centro de controle de tráfego aéreo de Brasília na tarde de quarta-feira.
Segundo a empresa estatal, dos 400 vôos programados neste período, 116 partiram fora do horário - o equivalente a 29%. Outros 45 foram cancelados (11,2%).
Os aeroportos do Nordeste têm os maiores índices de atrasos e cancelamentos, de acordo com o relatório da Infraero. No Recife (PE), dos 18 vôos previstos até as 8h, 12 atrasaram mais de uma hora (66,6% do total). Em Fortaleza (CE), 12 das 20 operações ocorreram fora do horário (60%).
Saguões lotados e espaçamento
No Rio, em São Paulo e em Brasília, os passageiros também sofrem com atrasos. Os saguões dos principais aeroportos brasileiros amanheceram lotados. Muitos aviões que deveriam partir na quarta-feira não saíram.
Em Brasília, os balcões de check-in têm longas filas. Funcionários da Gol informaram que todos os vôos da companhia estão suspensos porque as aeronaves não chegaram à Capital federal.
Em São Paulo, os aeroportos de Congonhas e Cumbica têm espaçamento maior entre os vôos, o que acaba provocando mais confunsão. Em Congonhas, na Zona Sul da Capital paulista, os vôos para o Nordeste e Belo Horizonte (MG) só saem de 20 em 20 minutos. Outros, com destino a Uberlândia e Uberaba (ambas em MG), Ribeirão Preto (SP), Brasília e para Região Norte só decolam em cinco em cinco minutos.
Em Cumbica, a situação é mais complicada. Segundo a Infraero, desde as 6h45, partidas com destino ao Nordeste do país só decolam de 20 em 20 minutos. Além dos vôos para o Nordeste, aqueles com destino ao Norte e ao Sul do país também sofrem espaçamento, de sete e cinco minutos, respectivamente.
No Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, um nevoeiro atrapalha a visibilidade e as operações são monitoradas por instrumentos. Durante a madrugada, foram registrados diversos atrasos e houve tumulto no saguão.
Nova crise
É o terceiro dia consecutivo de problemas nos terminais brasileiros. O mais recente capítulo da crise aérea no Brasil começou na tarde da última terça-feira, quando os controladores de vôo do centro de controle de tráfego aéreo de Brasília, o Cindacta-1, realizaram uma operação-padrão. A medida provocou atrasos em diversos aeroportos do país.
O protesto dos operadores seria uma reação à decisão da Aeronáutica de prorrogar o prazo de conclusão do inquérito militar que apura o motim no Cindacta-1 no dia 30 de março. Na ocasião, os pousos e decolagens foram suspensos em todos os aeroportos do país. As operações só foram retomadas depois de uma tensa negociação entre os controladores e o governo.
Por causa do protesto dos operadores, na terça-feira, por volta das 19h30, haviam sido cancelados 81 vôos em todo Brasil, o que representa 6% do previsto. Outras 213 operações atrasaram - o que corresponde a 13,4% dos vôos programados.
Na tarde de quarta, ocorreu um novo problema no Cindacta-1. Uma pane nas freqüências interrompeu as decolagens no aeroporto de Brasília. As partidas para o Norte e Nordeste ficaram suspensas por meia hora. Para o Sul e Sudeste, a suspensão durou uma hora e 15 minutos. A paralisação na Capital federal repercutiu em aeroportos de todo o país.
Segundo balanço da Infraero, um quarto dos vôos programados entre a 0h e as 18h30 de quarta tiveram atraso de mais de uma hora. Dos 1484 vôos previstos, 373 sofreram atrasos (25,1% do total). Ointenta e cinco vôos foram cancelados (5,7%).
O caos aéreo não poupou nem mesmo os jogadores da seleção de futebol, que embarcaram na madrugada desta quinta-feira rumo à Venezuela, onde será realizada na próxima semana a Copa América. O vôo