Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Atores da Guerra do Pacífico têm momentos idênticos na democracia

Por Isaac Bigio - Pela primeira vez em sua história, Bolívia, Chile e Peru elegem presidentes num lapso de quatro meses. Os três vizinhos, que há 125 anos protagonizaram a Guerra do Pacífico, têm processos diferentes, ainda que estes se concatenam. Em 18 de dezembro, Evo Morales recebeu o 53% dos votos bolivianos. (Leia Mais)

Segunda, 20 de Fevereiro de 2006 às 12:17, por: CdB

Pela primeira vez em sua história, Bolívia, Chile e Peru elegem presidentes num lapso de quatro meses. Os três vizinhos, que há 125 anos protagonizaram a Guerra do Pacífico, têm processos diferentes, ainda que estes se concatenam. Em 18 de dezembro, Evo Morales recebeu o 53% dos votos bolivianos. Nunca antes um sindicalista camponês chegara à presidência e um ex-guerrilheiro marxista (como é Álvaro García) ganhava a vice-presidência.

Seu Movimento Ao Socialismo cavalgou sobre uma onda de protestos na qual tombaram dois presidentes (Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003, e Carlos Mesa, em 2005) e se apoiaram no planalto quechuaymara, enquanto 29% votaram para ´Tuto´, militante do partido do ex-ditador ultradireitista Bánzer, cujas bases são as classes médias e as terras baixas com menos população indígena.

Em 15 de janeiro, no segundo turno chileno, 53% votaram para Michele Bachelet, contra um 47% para o milionário Sebastián Piñera. Em ambos os países, quem ganhou se socialista e a oposição se uniu em torno de um neoliberal, unido a empresas privadas.

No entanto, enquanto na Bolívia a polarização se deu entre dois líderes que provêm da esquerda e direita ´duras´, no Chile a dicotomia não foi tão forte, pois ali ambos os candidatos respaldam o modelo monetarista e o Tratado de Livre Comércio com os EUA. A direita foi além de um liberal que atacava as ditaduras e a esquerda foi muito moderada e atada ao centro democrata-cristão.

Na Bolívia houve uma maior divisão de acordo com linhas de classes e étnicas. A esquerda dura que na Bolívia tendeu a respaldar Evo, no Chile marcou significativos 5%, indo inicialmente contra Bachelet.

Os socialistas bolivianos são mais radicais: querem legalizar a coca, nacionalizar o gás, uma constituinte e uma nova república multiétnica. Os chilenos, ao contrário, têm uma boa relação com Washington e com o empresariado.

Peru

Estas polarizações incidiram sobre o Peru, que terá eleições gerais em 9 de abril. Segundo as últimas enquetes, o segundo turno já não seria entre dois candidatos pró-livre mercado (como veio acontecendo desde 1990), senão entre a direita liberal (Lourdes Flores) e um nacionalismo do tipo venezuelano (Ollanta Humala). Chávez alenta esse antagonismo procurando atrair o partido Apra, social-democrata, para formar um bloco contra a direita. Flores deve procurar evitar ser extravasada pela direita fujimorista, mas também quer manter pontes para o centro do Apra, para procurar ganhar no segundo turno.

Enquanto no Chile e na Bolívia ganharam os candidatos que sempre foram favoritos, no Peru quem inicialmente liderava as pesquisas (Paniagua) passou ao quarto lugar, como um centro comprimido por dois extremos. Lourdes, depois de ter liderado as preferências, agora disputa-as com Humala. Alan García foi deslocado do segundo lugar por nacionalistas mais radicais.

García e Bachelet pertencem à mesma Internacional Socialista, a mesma que no Brasil, Chile e Uruguai procura um projeto intermediário entre o neoliberalismo e o anti-imperialismo de Cuba, Venezuela e Bolívia.

García inicialmente tratou de demonstrar ao empresariado que ele se tinha "moderado" e que já não nacionalizaria empresas nem chocaria o país contra o Fundo Monetário Internacional. No entanto, a ascensão humalista o obrigou a girar à esquerda. O Apra aposta que Lourdes e Ollanta se desgastem mutuamente para aparecer como uma saída razoável. Em caso de não chegar ao segundo turno, poderia converter-se na força de oposição.

Ollanta tem dois caminhos. Um é jogar no radicalismo do tipo boliviano, procurando mobilizar eleitores pobres tradicionalmente apáticos com um discurso "revolucionário". Outro é "moderar-se". A primeira rota implicaria apoiar-se nos sindicatos e na esquerda, à qual não integra. Ele, todavia, prefere demonstrar que pode ser mais "inofensivo" e dialogante com os EUA.

Flores é social-cristã, igual aos p

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