Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 2026

Ato em Londres quer regularizar imigrantes ilegais

Milhares de pessoas são esperadas em eventos que ocorrerão durante toda esta segunda-feira, em Londres, para pedir a regularização de imigrantes ilegais que vivem na Grã-Bretanha.Estima-se que entre 300 mil e 500 mil imigrantes vivam e trabalhem ilegalmente na Grã-Bretanha, em situação de vulnerabilidade que abre espaço para a exploração da mão-de-obra e para atividades criminosas, como o tráfico de pessoas (Leia mais).

Segunda, 07 de Maio de 2007 às 08:46, por: CdB

Milhares de pessoas são esperadas em eventos que ocorrerão durante toda esta segunda-feira, em Londres, para pedir a regularização de imigrantes ilegais que vivem na Grã-Bretanha.
Ao longo das últimas semanas, os organizadores apareceram em jornais comunitários e em igrejas que dão assistência a imigrantes, na tentativa de convencer estrangeiros em situação clandestina a participar do ato público, que encontrou uma Londres parcialmente deserta por conta de um feriado.

Estima-se que entre 300 mil e 500 mil imigrantes vivam e trabalhem ilegalmente na Grã-Bretanha, em situação de vulnerabilidade que abre espaço para a exploração da mão-de-obra e para atividades criminosas, como o tráfico de pessoas.

A ilegalidade também tem conseqüências econômicas, segundo apontam entidades empresariais como a Confederação da Indústria Britânica (CBI, em inglês), que faz parte da organização Strangers into Citizens (algo como "De estranhos a cidadãos", em tradução livre).

De acordo com elas, a Grã-Bretanha deixa de receber 3,3 bilhões de libras esterlinas por ano (cerca de R$ 13,2 bilhões) em impostos e contribuições previdenciárias não-pagos ao governo. O valor seria suficiente para construir 132 escolas e 13 hospitais.

As entidades acreditam que a regularização de parte da mão-de-obra poderia resultar em um ganho de 500 mil a 1 bilhão de libras por ano.

Anistia

Uma das reivindicações do movimento é a de que imigrantes ilegais que estejam no país há pelo menos quatro anos e não tenham registro criminal sejam autorizados a permanecer por outros dois e que possam, em seguida, se candidatar a uma autorização para viver indefinidamente no país.

A medida seria semelhante a uma anistia, mas os organizadores evitam esta palavra porque consideram que não houve crime na conduta dos imigrantes.

Muitos deles são pessoas que entraram no país como turistas, estudantes ou asilados, e permaneceram após o prazo de vencimento do visto.

"Eu pago meus impostos, eu tento gastar, e gasto meu dinheiro neste país, contribuo com a economia deste país", disse à BBC um brasileiro presente na manifestação. Ele vive na Grã-Bretanha há sete anos, e recebe um salário mensal de cerca de 2 mil libras (cerca de R$ 8 mil), suficiente para levar um padrão de vida de classe média na capital.

Quando vim para cá, conhecia a lei e sabia que não poderia viver aqui. Mas eu tinha 20 anos, agora tenho 27 e minhas idéias mudaram."

A manifestação inclui um comício na Praça Trafalgar, com a participação de organizações de direitos humanos, e uma ato ecumênico na Abadia de Westiminser, do qual participam líderes de diversas religiões.

Vulnerabilidade

Segundo organizações de direitos humanos, a vulnerabilidade de imigrantes em situação ilegal abre espaço para a exploração da mão-de-obra, inclusive com casos de trabalho escravo, como sustentou um recente levantamento da organização Anti-Slavery International.

Outra pesquisa recente, feita a pedido da Igreja Católica, revelou que 40% dos imigrantes latino-americanos - a maioria, ilegais - que freqüentam as igrejas de Londres recebem menos que um salário mínimo.

Entre as comunidades, os latino-americanos são também os que têm menor nível educacional - 82% não têm diploma universitário, contra 49% de imigrantes de países da África, onde é grave o problema da chamada "fuga de cérebros".

Um terço dos latino-americanos disse ainda que seu nível de inglês é medíocre, novamente em contraste com imigrantes africanos, dos quais 80% se consideram fluentes na língua.

Para a Stranger into Citizes, "manter a atual política migratória está causando caos, estresse, gargalos burocráticos e miséria em larga escala (...). Estimula traficantes de pessoas, de drogas, criminosos internacionais e terroristas, que são muito mais difíceis de controlar por conta do ta

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